Sem Aécio, DEM articula para ''emplacar'' vice na chapa de Serra

Setores do PSDB, no entanto, resistem à indicação em razão do desgaste do aliado com a crise no Distrito Federal

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de março de 2010 | 00h00

O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), confirmou ontem que o partido apontará um candidato a vice-presidente para a chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, José Serra, caso o governador de Minas, Aécio Neves, não aceite a tarefa.

Setores do PSDB resistem a essa indicação, avaliando que o escândalo político envolvendo a queda do governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, causou grande desgaste à imagem do DEM e poderia prejudicar a candidatura de Serra, caso o partido ocupe uma vaga tão importante como a de vice-presidente. Maia confirmou que uma das possibilidades de indicação para a vaga de vice é a senadora Katia Abreu (TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), como revelou a coluna Direto de Brasília, de João Bosco Rabello, na edição de domingo do Estado.

"Se Aécio Neves for o candidato a vice, não haverá qualquer discussão da parte do DEM. Mas acho pouco provável que isso vá acontecer porque o próprio governador tem dito que não será o vice. Nesse caso, não tenham dúvidas que o DEM aprovará um nome para vice na sua convenção, em junho", avisa.

Para o presidente do partido, o problema envolvendo Arruda, que se desfiliou do DEM para não ser expulso, não serve como desculpa para impedir a presença do partido na chapa. E cita o tempo de propaganda eleitoral que o DEM poderá oferecer como principal motivo para que a aliança se concretize com a divisão da chapa.

"O PSDB tem 66 deputados. O DEM tem 65. Ou seja, os tempos de propaganda eleitoral dos dois partidos são praticamente idênticos. Sem o tempo do DEM, a campanha não se viabiliza. Não vejo como essa parceria não seja feita sem que o posto de vice seja discutido diretamente com o DEM", diz.

Velha parceria. Apesar desse movimento, é improvável que as relações entre DEM e PSDB azedem a ponto de os dois partidos caminharem separadamente na sucessão presidencial. Desde a primeira vitória de Fernando Henrique Cardoso, na eleição nacional de 1994, os dois partidos têm sido parceiros eleitorais e atuam dentro do Congresso na oposição. Nesse caso extremo, a própria Kátia Abreu poderia ser a opção para entrar na campanha eleitoral como candidata do partido à Presidência. Mas PSDB e Serra já deixaram claro que não abrem mão da parceria.

Para fortalecer a campanha presidencial, os tucanos contam com a coligação não só com o DEM, mas também com PPS e PTB. Sonham ainda em avançar na negociação com o PP, do senador Francisco Dornelles (RJ). Mas essa aliança se tornou cada vez mais improvável, dada à participação intensa do ministro das Cidades, Márcio Fortes (PP), nas inaugurações de obras do PAC, ao lado da pré-candidata do PT, ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

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