Sem auxílio, moradores do Morro do Bumba retornam para áreas interditadas

Prefeitura de Niterói não informou quando desabrigados passarão a receber auxílio-aluguel; até esta sexta, 16, total de mortos no local devido às chuvas chega a 45 e, no Estado, 254

Gabriela Moreira, de O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2010 | 18h35

Na foto, Valdevi da Silva 60 anos em sua residencia no Morro do Bumba, Niterói

 

RIO - Sem ter uma perspectiva de quando passarão a receber o pagamento do Aluguel Social, moradores do Morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana, estão voltando para casa. A maioria dos imóveis no local foi interditada pela Defesa Civil, por estarem sob risco de desabamento.

 

No último dia 7, cerca de 60 casas foram soterradas por desabamentos provocados pelas chuvas. Até esta sexta-feira, 16, o total de mortos no local chegava a 45 e, no Estado, 254. Segundo a Defensoria Pública, ainda há 24 corpos desaparecidos na favela, que foi construída em cima de um lixão. A prefeitura de Niterói não informou quando os moradores passarão a receber o auxílio, nem quantas pessoas serão beneficiadas. A última informação sobre o assunto, repassada à imprensa pela assessoria, era de que 500 pessoas tinham sido cadastradas.

 

Sem poder esperar por uma resposta, o gari Ederval Rodrigo dos Santos, de 41 anos, decidiu voltar para casa, localizada cerca de 300 metros da encosta atingida pelo desabamento. "Sei dos riscos, mas o que posso fazer? Não me deram garantias de que vou receber o aluguel. Não tenho como deixar minha casa. Para onde levo os meus móveis?", questiona o gari, que fez uma ligação clandestina de eletricidade para voltar a habitar o imóvel.

 

Num ponto mais baixo da favela, mas numa área também interditada pela Defesa Civil, o pedreiro Valdevir da Silva, de 60 anos, passou os últimos dias procurando casas para alugar. Segundo ele, os imóveis disponíveis na região estão na faixa de R$ 700, valor acima do que se espera que a prefeitura pague, pelo Aluguel Social. "Não disseram o quanto pagarão, mas deve ficar na faixa que o Rio está pagando (R$ 400). Não consegui encontrar casa por este valor", afirmou o pedreiro, que ontem estava lavando a casa para que sua família pudesse voltar à favela. "Somos 7 pessoas, não podemos morar numa casa de um cômodo. E nem isso encontrei", disse.

 

Moradores que estavam em abrigos também reclamam da demora para recebimento do benefício. "No abrigo é só humilhação. Não temos privacidade, temos de disputar comida, banheiro, tudo", reclamou o pedreiro Vilemar Simplício Lopes, de 41 anos, que voltou ontem para sua casa, no alto da favela.

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