Sem Ciro, PSB formaliza apoio a Dilma

Aliados do deputado, rifado pelo partido, não vão à reunião, mas Campos manda recado a dissidentes: todos farão campanha para petista

Eugênia Lopes e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

Nenhum aliado do deputado Ciro Gomes (CE) compareceu ontem à reunião do Diretório Nacional do PSB, que decidiu pelo apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há cerca de um mês, o PSB rifou a candidatura de Ciro Gomes à Presidência.

A divisão do partido ficou explícita com a ausência de Cid Gomes, governador do Ceará e irmão de Ciro, que preferiu não ir ao encontro do PSB, apesar de estar em Brasília e ter se reunido com o presidente Lula.

Apesar da cizânia no partido, o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, mandou um recado para os eventuais dissidentes: todos os socialistas farão campanha para petista, não serão aceitas defecções nem coligações com partidos de oposição, a menos que haja autorização da direção do PSB.

Logo após o partido vetar sua candidatura à Presidência, Ciro Gomes afirmou que acataria a decisão da legenda, mas que não iria se envolver na campanha da petista nem pedir votos para ela na televisão.

Exemplo. "Aprovamos uma resolução em que todo o nosso partido fará campanha para Dilma", afirmou Eduardo Campos. Ele fez questão de citar um exemplo: o caso do PSDB da Paraíba, que apoia a candidatura de Ricardo Coutinho, do PSB, ao governo do Estado.

"O PSDB apoia o Ricardo Coutinho, mas o Ricardo Coutinho vota na Dilma", disse. "A nossa posição política é de apoio à ministra Dilma. Nos Estados as alianças que estão autorizadas automaticamente são aquelas dentro do bloco de sustentação. Qualquer coisa além disso tem que ter autorização da direção nacional", explicou Campos.

Ao deixar o Centro Cultural Banco do Brasil, Cid Gomes disse que vai se empenhar na campanha da petista. "Tenho de olhar para frente, tenho certeza de que será a postura do Ciro também. A decisão do partido foi de não ter candidato, a gente tem de aceitar e se submeter a ela", afirmou o governador. "Não é mais hora de olhar para trás. As coisas são assim."

"Tem um desconforto por eles (aliados de Ciro) não estarem aqui. Mas a ferida que o Ciro abriu ainda existe e ainda está acabando de cicatrizar", resumiu o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos integrantes do Diretório Nacional da sigla.

Na reunião de ontem, o comando do PSB também definiu que o PT deve estabelecer critérios iguais para todos os aliados de Dilma nos palanques estaduais. "Todos os partidos aliados ao PT vão estar submetidos a critérios comuns. Todos devem ter o mesmo tratamento. A Dilma não será candidata só do PT. Ela será candidata de um conjunto de partidos", declarou Campos. "Todos terão de ser tratados de uma forma respeitosa e equilibrada. De outro jeito seria inaceitável."

A direção do partido decidiu ainda que alianças nos Estados com partidos de oposição - PSDB, DEM e PPS - têm de passar pelo crivo da direção do PSB.

A convenção do PSB para formalizar o apoio oficial à candidatura de Dilma Rousseff será no dia 14 de junho.

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