Sem confrontos, Bope faz operação no Morro do Vidigal, no Rio

Na segunda-feira, operação policial em Duque de Caxias deixou dez mortos, que foram enterradas nesta terça

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2008 | 09h27

O boato de que uma facção rival havia tomado o controle do tráfico na Favela do Vidigal, em São Conrado, levou a Polícia Militar a fazer uma operação no morro, na manhã desta terça-feira, 5. Homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão Florestal e do 23.º Batalhão (Leblon) ocuparam o morro, revistaram carros e apreenderam três motocicletas. Não houve confronto.   Wilton Júnior/AE   De acordo com os moradores do Vidigal, porém, não houve invasão de traficantes. Segundo eles, a situação no morro está tranqüila. Na ocupação de ontem também não houve tiroteio entre traficantes e policiais. A rotina na favela não foi alterada com a presença da PM.   O tráfico no Vidigal é dominado pelo traficante identificado pela Polícia como Noventa e Nove, ligado à facção Amigo dos Amigos (ADA), a mesma que comanda a venda de drogas na Rocinha. De acordo com a denúncia recebida pela Polícia Militar, um grupo de traficantes do Comando Vermelho teria tomado os pontos de venda de drogas no morro no fim de semana.   Mortos na Baixada   Nove dos dez mortos na segunda-feira, num confronto entre policiais e traficantes do Morro da Lagoinha, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, foram enterrados nesta terça em dois cemitérios da região. O Cemitério Tanque do Anil concentrou o maior número de enterros - seis. Não havia reforço no policiamento.   Tasso Marcelo/AE   Os parentes dos mortos não quiseram dar entrevista. Durante o quarto enterro, o de Marcelo da Costa Monteiro, de 30 anos, um homem mandou que os fotógrafos deixassem o local. Também foram enterrados ali Bruno Alvarenga de Souza e Roberto Claudina de Souza, ambos de 20 anos, Alexandre Felício da Silva e Wagner Conceição, ambos de 26, e Leandro Rodrigues Gomes, de 17.   No cemitério Corte Oito foram enterrados Marcos Vinícius Soares Lima, Marco Antônio da Costa Zabeu e David de Jesus Marcelino, todos de 19 anos. O corpo de Tiago Espírito Santo será enterrado somente na quarta-feira. Ele foi o último a ser identificado.   Depois das mortes, manifestantes cercaram o Hospital Municipal de Duque de Caxias. Houve tentativa de invasão, e a instituição ficou interditada. Nesta terça, o hospital funcionou normalmente. De acordo com o 15.º Batalhão da PM (Duque de Caxias), a situação no Morro da Lagoinha foi tranqüila.   Atualizado às 18h45

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