Sem correria, mas com contradições

Como era evidente, José Serra seria comparado às adversárias que o antecederam. E assim, calejado pelo tempo, soube conduzir sua participação no JN num ritmo pausado, professoral; distinguindo-se da correria das demais, ora dirigia-se aos entrevistadores, ora ao telespectador. Como se esperava, comunicou-se eficientemente. Já no que tange ao conteúdo propriamente político, viu-se, também, em saias mais ou menos justas e contradições: não briga com a popularidade de Lula. Antes, pretende desde já remeter o presidente ao passado. "Lula não é candidato", diz quase num apelo. Prefere olhar para frente, mas não se furta em recorrer ao passado que lhe interessa: "FHC fez o Plano Real". Enfatiza o vice "ficha limpa", mas releva a participação de aliados incômodos no mensalão; ressalta a qualidade das estradas paulistas, mas desconversa quanto aos pedágios. Realmente, "não tem compromisso com o erro". O candidato racional e centralizador - o que ele nega - busca a emoção, ainda que contida: recorre à figura dos pais, do menino de origem modesta. De algum modo, precisa se identificar com Lula.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.