Sem curso superior, pagodeiro deve ficar em cela comum

O cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, entregou-se nesta quarta-feira à tarde à Secretaria de Segurança Pública. A rendição do artista, que estava foragido há uma semana, foi negociada entre os seus advogados, a polícia e a juíza Rute Viana Lins, que decretou sua prisão preventiva. De acordo com o secretário Roberto Aguiar, Belo permaneceu o tempo todo no Rio de Janeiro, apesar de seu advogado, Alberto Louvera, ter dito que ele estava no Sul doPaís. O delegado Mauro Chadud, assessor especial da secretaria, a quem Belo se entregou, disse que o cantor também esteve em São Paulo durante o tempo em que ficou escondido. Belo se entregou às 16h30 na Avenida Maracanã, em frente a uma lanchonete Bob?s, próximo à Praça Saenz Penã, na zona norte. Uma hora mais tarde, ele chegou ao Fórum. O cantor deveria ter se rendido às 10 horas de ontem, mas segundo Louvera, ele passou mal ? o cantor teria sofrido crises de vômito. Logo depois que chegou ao gabinete da juíza da 34.ª Vara Criminal, uma cadeira de rodas e um balão de oxigênio foram levados para o artista. Ali, ele passou por avaliação médica para determinar suas condições físicas.Durante o dia, Louvera dera entrevistas dizendo que Belo estava bem de saúde. Ao Estado, ele negou que pediria para o cantor ficar custodiado numa clínica particular. A juíza da 34.ª Vara Criminal havia decretado a prisão preventiva do cantor e de mais 20 suspeitos de associação para o tráfico no último dia 29 ? ainda faltam nove mandados de prisão para serem cumpridos. Do Fórum, Belo deveria ser transferido para a carceragem do PolíciaInterestadual (Polinter), na região portuária. O cantor ficaria numa cela superlotada. Cada cubículo tem capacidade para 12 pessoas, mas em algumas delas vivem 60 homens. Belo não tem curso superior, e por isso não poderá ficar numa cela especial. A polícia decidiu, no entanto, levá-lo para a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), em Pilares, na zona norte.Belo foi indiciado por associação para o tráfico depois que uma conversa dele com o traficante Vado foi interceptada por uma escuta telefônica autorizada judicialmente. Durante a ligação, Vado pedia R$ 11 mil para comprar um ?tecido fino?. Belo queria, em troca, um ?tênis AR?. A polícia acredita que o diálogo tratava da compra de drogas e de um fuzil AR-15.

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