Sem 'seo' Nenê, Nenê contagia e fecha 1ª noite de desfiles

Internado devido ao diabetes, fundador da escola não participou do desfile

Gustavo Miranda - estadao.com.br, SÃO PAULO

02 de fevereiro de 2008 | 06h51

SÃO PAULO - Fechando o primeiro dia de desfiles e entrando na disputa pelo título do carnaval de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde fez um belo desfile. Falando sobre o universo do folclore brasileiro com base no trabalho do historiador nordestino Luís da Câmara Cascudo, o desfile esbanjou dança, cultura, festas populares e artesanato. O público se empolgou com a bateria e cantou o samba-enredo da escola. A agremiação entrou na avenida em busca de seu 12º título.

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Pela primeira vez, Alberto Alves, de 87 anos, o seu Nenê que dá nome à escola, não assistiu ao carnaval de São Paulo no Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo. Ele continua internado, no hospital Samaritano de Guarulhos, devido a complicações causadas pelo diabetes. "Estamos muito preocupados e tristes porque em 59 anos, ele nunca faltou a um desfile. Mas, viemos para ganhar, a gente não pode desanimar", diz Benedito Justino, 69, presidente da Velha Guarda da escola. Em homenagem a ele, a escola rezou um 'Pai Nosso' antes do desfile.

O tema da escola de samba Nenê de Vila Matilde foi um desafio à criatividade do carnavalesco Augusto Oliveira: falar do rico universo do folclore brasileiro em apenas uma hora de desfile. A agremiação levou para o sambódromo as tradições do povo a partir do trabalho do historiador Luís da Câmara Cascudo. O enredo começou no Nordeste, terra do historiador homenageado, e falou das tradições das danças e festas populares, como o maracatu. O abre-alas trouxe fotos de Cascudo em duas velas de jangadas usadas no Nordeste.

Depois, o desfile seguiu para a região Norte mostrando as lendas e a vida dos índios. No Centro-Oeste, o destaque foi o artesanato local. No Sul, a escola mostrou os imigrantes que chegaram ao Brasil e as suas influências, além de falar das cantigas infantis e de roda. O desfile terminou no Sudeste, onde falou do carnaval de São Paulo. A bateria da Nenê trouxe uma novidade: os componentes estavam com a cara pintada de preto representando o maracatu cearense.

Uma integrante da comissão de frente desmaiou logo ao chegar na dispersão. A mulher, de 64 anos, segundo o Corpo de Bombeiros, passou mal devido à baixa da pressão arterial. Antes de iniciar o desfile, um carro alegórico não se danificou por muito pouco na concentração. Integrantes evitaram colisão com um pilar, o que poderia atrapalhar todo o planejamento da escola.

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