Sem falar nada, bandido atira e mata mulher em semáforo

Criminoso nem chegou a anunciar assalto, segundo uma testemunha

O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2017 | 00h00

Aparecida Donda Gebara, de 32 anos, dona de uma corretora de seguros, morreu anteontem após ser baleada na cabeça durante assalto num semáforo de Santo André, na Grande São Paulo. O crime ocorreu por volta das 22 horas, no cruzamento das Ruas Juquiá e Alvarez, no Jardim Jamaica. O autor do disparo fugiu. Ela e o marido, Alex Gebara, de 33 anos, iam ao aniversário de uma amiga, num bar de São Bernardo. Estavam conversando quando pararam no sinal e não perceberam a aproximação dos bandidos. Segundo uma motorista que também esperava no semáforo e viu o crime, dois homens tentaram abrir as portas do carro, um Citroën C3. Um deles puxou a maçaneta da porta do carona, mas não conseguiu abri-la. Deu a volta no carro e parou do lado onde estava Aparecida. Eles nem chegaram a anunciar o assalto. Quando ela olhou para a janela, levou um tiro na cabeça. Sem levar nada, os bandidos saíram caminhando pela rua, conforme a testemunha. "Que País é esse?", dizia Alex aos prantos, no velório de Aparecida, ontem , no Cemitério da Vila Euclides em São Bernardo. "O cara atirou e foi embora. Não dá para acreditar." Desde que se casaram, em 2005, os dois viviam em Santo André. O casal era dono na cidade de uma corretora de seguros de automóveis e planos de saúde. Eles iam para a festa de Marli Andrade, amiga e funcionária da empresa. "Estávamos esperando por eles para cantar os parabéns", disse. Diante do corpo de Aparecida, parentes e amigos choravam inconformados. Balançavam a cabeça, como se não acreditassem, e demonstravam total impotência em relação ao que aconteceu. "Nada vai trazê-la de volta, mas queremos justiça", disse a cunhada, Jane. O sogro Oswaldo definiu o assassinato como o "fundo do poço". "Agora você pára no semáforo e alguém te mata simplesmente, sem roubar, sem ameaçar, sem nada", disse. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o caso será investigado pelo 1º Distrito Policial de Santo André. ÁREA VISADA Nas redondezas da Rua Juquiá, no Jardim Jamaica, bairro de classe média em Santo André, quase todos os moradores têm uma história de violência. "Isso é muito comum por aqui", disse o operário Reinaldo Carevali, que vive há 20 anos no bairro. Ele e a irmã já foram vítimas de assaltos a mão armada e tiveram os carros roubados. Há dois anos, uma vizinha foi baleada na perna porque não conseguiu se soltar do cinto de segurança para entregar o carro. Inês diz ter ouvido o tiro que matou Aparecida. Mas só teve certeza de que era um disparo quando ouviu os gritos desesperados de socorro do marido, Alex. O Jardim Jamaica, predominantemente residencial, é cercado pelas Favelas da Gamboa e do Jardim Cristina. OUTROS CASOS Em junho, um casal foi assassinado quando estava parado num semáforo na Rua Alberto Augusto Alves, no Morumbi, zona sul de São Paulo. O filho de 7 anos estava no carro e testemunhou a morte dos pais - Glauber Paiva e Marta Oliveira. Em agosto, houve dois casos no ABC: Tamires Burnali, de 19 anos, foi morta do dia 13, em um sinal de Diadema; no dia 24, o universitário Renato Arias, de 23 anos, foi executado num semáforo de Santo André.

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