Sem Jobim, Dilma cobra lealdade de militares

Por sugestão de Mangabeira Unger, eleita recebeu comandantes em separado, debateu segurança do Rio, mas não citou questões de direitos humanos

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2010 | 00h00

Em recado para a área militar, a presidente eleita, Dilma Rousseff, escanteou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, do processo de confirmação nos cargos dos atuais comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Dilma recebeu ontem, na Granja do Torto, separadamente, o general Enzo Peri, o almirante Júlio Soares de Moura Neto e o brigadeiro Juniti Saito, quando cobrou "lealdade" a ela, que é comandante-suprema das Forças Armadas. A presidente foi aconselhada e decidiu manter Jobim no Ministério por entender que a pasta está bem conduzida, em meio a um processo de consolidação da área da Defesa.

O encontro com os três comandantes, nos moldes que ocorreu, foi sugerido pelo ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, que teve muito contato com os militares durante a elaboração da Estratégia Nacional de Defesa.

Dilma acatou, inclusive, a sugestão de que a conversa fosse separada e a sós, sem a presença de Jobim, a quem os comandantes estão subordinados, para que ela pudesse pedir a lealdade de conduta a ela e não ao ministro.

Jobim havia sugerido sua presença no encontro, mas não foi atendido. Foi avisado de que outra reunião entre ele, a presidente e os três comandantes seria marcada para breve.

Mantidos. Dilma, que já conhecia os três comandantes - com os quais debateu problemas de cada um em sua passagem pela Casa Civil -, manterá todos os três nos respectivos cargos.

Em nenhum dos encontros se tratou de direitos humanos ou da criação da chamada "Comissão da Verdade" - mas com todos os três foi debatida a atuação das Forças Armadas no Rio de Janeiro.

Ela assegurou que a presença das tropas no Estado será uma coisa episódica, como prevê a legislação, e não por tempo indeterminado, como desejava o governador Sérgio Cabral. Avisou, ainda, que não haverá participação das Forças Armadas em novas ações nos morros do Rio.

Projeto. No encontro com o almirante Moura Neto, da Marinha, Dilma falou de sua preocupação com a proteção ao pré-sal e defendeu o projeto do submarino nuclear.

Para a Aeronáutica, prometeu que até no final do primeiro semestre definirá o processo de compra dos caças. Justificou que precisa estudá-lo mais detidamente para se convencer da opção.

Ontem mesmo, em entrevista, o ministro Jobim avisou que não será aberto um novo processo de seleção dos caças, mas que a presidente apenas precisa de um tempo para analisar e discutir o assunto.

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