Sem Lula, PT lança pré-candidatura de Mercadante ao governo de SP

Sucessão. Ausência do presidente, que confirmara comparecimento ao encontro no dia anterior, provocou atraso de uma hora no início da solenidade e causou desconforto entre petistas. Em seu discurso, porém, senador tentou explorar a proximidade entre ambos

Julia Duailibi, Malu Delgado e Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

O PT lançou ontem o senador Aloizio Mercadante pré-candidato ao governo de São Paulo, num evento marcado pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho da candidatura do petista ao Palácio dos Bandeirantes. O não- comparecimento de Lula, cuja presença havia sido confirmada na noite anterior, causou desconforto entre petistas.

Apesar da falta de Lula, Mercadante fez um discurso em que explorou sua proximidade com o presidente e criticou a gestão tucana no Estado ? o PSDB governa São Paulo há 16 anos. O pré-candidato evidenciou que a estratégia de campanha é usar como capital político a administração bem avaliada de Lula.

"Hoje não vim falar mal do passado nem de ninguém. Vim anunciar o futuro e a mudança, a esperança que vamos construir neste Estado" disse o senador no encontro em que Marta Suplicy foi oficializada pré-candidata ao Senado. Em meia hora de discurso, Mercadante citou Lula 13 vezes e usou a palavra "esperança", emblemática na campanha presidencial de 2002, cujo slogan era "A esperança venceu o medo".

Coube à pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff, dar o caráter nacional ao 17.º Encontro Estadual do PT e amenizar o impacto político da ausência de Lula e do presidente da sigla, José Eduardo Dutra, ainda que São Paulo seja um Estado estratégico na campanha ? "a eleição vai ser decidida aqui", chegou a dizer Marta em seu discurso.

Minutos antes do início do evento, Lula ditou por telefone ao presidente estadual do PT, Edinho Silva, uma carta elogiosa a Mercadante e Marta, que foi lida pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza,

Na carta, Lula falou em "compromisso" com a campanha e prometeu ser um "militante". "Sabemos que os avanços de um Brasil mais justo com igualdade de oportunidades só será possível se São Paulo estiver em sintonia com o projeto que estamos construindo para o Brasil", disse sem explicar a razão da ausência.

Atraso. O evento atrasou uma hora por causa das tentativas de contornar a ausência de Lula. Com a estratégia de campanha desenhada e amparada na alta popularidade do presidente, Mercadante contava com a presença dele.

O senador, que concorrera ao governo em 2006, mas fora derrotado por José Serra, aceitou disputar, após pedido de Lula. O presidente chegou a articular o apoio do PT a Ciro Gomes (PSB) no Estado, o que não prosperou.

A campanha do petista em 2006 ficou marcada pelo escândalo do dossiê, quando coordenadores da campanha tentaram comprar um documento contra políticos tucanos. Os envolvidos no episódio chegaram a ser chamados de "aloprados" pelo próprio Lula.

A entrada na disputa a partir da desistência de reeleger-se ao Senado coloca Mercadante, em caso de derrota, como nome natural para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012. Ontem, afirmou: "Não tem nenhuma condição no gesto que estou fazendo."

Greve. O senador desfiou críticas à gestão dos tucanos e citou a ação da Polícia Militar na greve dos professores no mês passado. A categoria, disse ele, "não pode ser tratada com borrachada e cassetete".

Ao tentar colar seu projeto ao de Lula, fez sua primeira promessa de campanha. "Um dos primeiros atos do meu governo será criar um Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, como o presidente Lula fez."

Dilma elogiou a lealdade de Mercadante ao projeto do governo Lula e foi chamada de "presidenta" em retribuição. "O Mercadante esteve sempre na coordenação das campanhas ao lado do presidente Lula", disse Dilma. "Poucas vezes São Paulo vai ver uma chapa tão qualificada como a com Marta e Mercadante."

Emocionado, o senador lembrou os momentos de ausência na vida dos filhos por causa da dedicação à política. "Tenho orgulho do que fiz, e meus filhos também. Viva o Brasil. Viva Lula, viva Dilma, viva a militância."

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