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Sem o 13º, motoristas ameaçam greve geral

Os empresários de ônibus de São Paulo pediram nesta quarta-feira ao secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, que bancos ligados à Prefeitura liberem créditos a juros menores para que o grupo possa pagar o 13º salário, cestas básicas, vales e pagamentos do dia 5 para cobradores e motoristas.A categoria, que encerrou uma greve nesta quarta-feira, já ameaça fazer paralisação geral, caso não receba o 13º. Durante o encontro, empresários ligados ao sindicato patronal (Transurb) não recuaram do pedido de reajuste da tarifa de R$ 1,40 para R$ 1,91."Não queremos atrasar o 13º de forma nenhuma. Isso é compromisso do empresário com os funcionários", disse o presidente do Transurb, Sérgio Pavani. De acordo com ele, 95% das empresas do setor não tinham nesta quarta dinheiro para quitar o pagamento, que deverá ser feito na segunda-feira.As empresas que teriam dinheiro, segundo os empresários, são Santa Brígida, Gato Preto, Paratodos e Castro. Pelo acordo proposto pelos empresários, os bancos emprestariam dinheiro a juros inferiores a 2,8%, e o pagamento às instituições seria descontado das empresas pela São Paulo Transporte (SPTrans), que gerencia o sistema de transporte e faz o repasse do dinheiro às viações."O dinheiro sairia direto da SPTrans para o banco, nem passaria pelos empresários", afirmou Pavani. "Mesmo assim, ainda continuamos procurando aporte para não falhar com o pagamento do dia 30."Aos empresários, Tatto disse que iria conversar com a prefeita Marta Suplicy (PT) e, em seguida, falaria com o grupo. Em entrevista, ele também afirmou que ainda não há definição do valor da nova tarifa, apesar dos estudos feitos pelos técnicos da SPTrans. "Não há uma decisão. Já estamos fazendo o estudo, mas ainda não há definição ou data para a nova tarifa."O governo já descartou a hipótese de elevar a tarifa para R$ 1,91. Não foi confirmada a informação de que os valores estudados estão entre R$ 1,60 e R$ 1,80. Nos bastidores, os empresários esperam que São Paulo acompanhe o reajuste das tarifas nas cidades do ABC, que devem ser aumentadas para R$ 1,80 no início da próxima semana.O Transurb, entretanto, que entregou estudo para o secretário sobre o custo do sistema, acredita que qualquer valor inferior a R$ 1,91 não resolveria o problema.O professor Juarez Rizzieri, da Fundação Instituto de Pesquisas de Preços (Fipe), disse nesta quarta-feira que um eventual aumento das tarifas para R$ 1,91 elevaria a inflação do município para 10% neste ano. Segundo ele, o aumento, de 36,4%, é muito elevado. O último reajuste, em maio de 2001, foi de 22%.Um acordo entre grevistas e o Transurb, na madrugada desta quarta, encerrou a greve dos motoristas e cobradores das empresas Expresso Paulistano e da Viação Consórcio Trólebus Aricanduva. Na negociação ficou previsto o retorno imediato ao trabalho, com a promessa de pagamento da primeira parcela do 13º salário até terça-feira.O restante do adiantamento foi depositado nesta quarta à tarde. Isso, entretanto, não afasta o risco de novas paralisações na semana que vem. "Faremos uma assembléia na segunda-feira para saber se as outras empresas vão pagar o 13º. Se isso não ocorrer, vamos parar tudo de novo", ameaçou o presidente do sindicato dos condutores, Edivaldo Santiago.Segundo ele, o adiantamento salarial aos funcionários que ainda não haviam recebido o benefício corresponde a R$ 300 mil. A Expresso Paulistano tem 1.700 funcionários. "O adiantamento do 13º corresponde a R$ 1,1 milhão", afirmou. De acordo com Pavani, o Transurb emprestou nesta semana R$ 300 mil para os empresários para que eles consigam pagar os vales vencidos. "Estamos fazendo de tudo para que não haja greve", disse.Se houver necessidade de empréstimo para os pagamentos, Transurb e consórcios de empresas serão anuentes junto aos bancos. A SPTrans assinou o mesmo compromisso, caso a empresa necessite de dinheiro para pagar o adiantamento do 13º até terça-feira. Nesse caso, não será usado dinheiro público nem das empresas. O compromisso corresponde apenas ao valor que a Expresso Paulistano teria a receber da SPTrans.Se sindicalistas e empresários não chegassem a um acordo, a cidade poderia ter vivido mais um dia de caos. Os grevistas ameaçavam parar todas as empresas até as 7 horas. Às 21 horas desta terça-feira, a SPTrans e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começaram a retirar parte dos 240 ônibus que bloqueavam os Viadutos 9 de Julho e Jacareí, perto da Câmara, no Centro.Pela manhã, a pista direita dos viadutos já estava desobstruída. Somente às 10h45 desta quarta foi liberado o trânsito de trólebus na outra pista. Revoltados com os grevistas, passageiros que viajavam em ônibus lotados das linhas Metrô Santa Cruz, Terminal Casa Verde e Largo das Bandeiras, todos com destino ao Parque d. Pedro, ofenderam motoristas.Apesar de reconhecer os transtornos, Santiago comemorou os resultados. "O resultado foi positivo porque há grande ameaça sempre que se aproxima a data de pagamento", disse. "Rompemos contra a pressão que havia sobre o trabalhador e mostramos que temos força."

Agencia Estado,

27 de novembro de 2002 | 22h54

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