Sem obter concessões, grevistas desocupam fórum

Invasão iniciada na quarta-feira terminou com a saída dos últimos 34 servidores, famintos e sem reposição salarial

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h00

Famintos, debilitados e sem os 20,16% de reposição salarial que reivindicam, 34 servidores em greve do Judiciário desocuparam ontem, às 12h07, o Fórum João Mendes, em São Paulo. Em fila indiana e de mãos dadas eles passaram por um corredor policial e foram recebidos por centenas de colegas na Praça João Mendes. Ganharam aplausos, pão com margarina e café quente. Mas a greve, deflagrada há 45 dias, continua.

A ocupação do fórum ocorreu na quarta-feira, quando 150 funcionários tomaram o saguão em protesto contra decisão do Órgão Especial do TJ que mandou descontar parte dos dias parados. Muitos logo deixaram o prédio. Restavam 34. Esgotados e sob pressão, porque o Tribunal de Justiça não permitiu entrada de alimentos, todos saíram.

Antes da retirada, um impasse. A cúpula do TJ queria obrigar os grevistas a debandar por uma porta dos fundos do fórum. Os manifestantes insistiam em sair pela frente o que, afinal, conseguiram. "Queriam nos impor uma humilhação derradeira, mas a resposta está aí na praça", disse José Ribeiro, escrevente em São Vicente.

"O TJ agiu com bom senso e garantiu a todos água, assistência médica e uso do banheiro ", afirmou Rebouças de Carvalho, juiz assessor da presidência da corte. "O TJ foi truculento e intransigente, mandou tirar até o bebedouro", acusa Carlos Alberto Marques, o Alemão, vice-presidente da Associação dos Servidores do Judiciário.

Os líderes do movimento estimam que cerca de 12 mil estão parados. Em todo o Estado são 45 mil trabalhadores. Na próxima quarta-feira haverá assembleia da categoria na Praça João Mendes, onde os grevistas montaram acampamento.

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