Sem os corpos, famílias deixam SP

Parentes de outras cidades começam a voltar para casa, sem previsão para identificação das vítimas

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2025 | 00h00

Muitos parentes das vítimas do vôo 3054 colocaram a "dor na bagagem" e voltaram para suas cidades de origem, acompanhados pelas previsões nada otimistas sobre quando vão conseguir enterrar seus familiares. Segundo a TAM, diminuiu de 146 para 119 o número de familiares hospedados no Hotel Blue Tree Tower que esperam pela identificação dos corpos pelo Instituto Médico-Legal (IML). "Estou juntando os cacos que sobraram de mim e tentando recomeçar a vida", disse o empresário Christophe Haddad, pai de Rebeca Haddad, de 14 anos, que estava entre os passageiros do avião. Ele voltou para Porto Alegre no sábado e, desde segunda-feira, passa pelo escritório onde trabalha na cidade. "Não dá para pensar em negócios ainda, mas é necessário voltar a trabalhar. É muito difícil enfrentar a dor sem a passagem do enterro, mas estou me esforçando para isso." A necessidade de retomar a rotina aumenta a angústia de quem espera a identificação de seus parentes. "Moro em Uberlândia, faço faculdade de Letras e não posso continuar em São Paulo", disse Carolina Tavares, de 25 anos, prima de Eduardo Nascimento, de 21, que morreu na tragédia. "O que conforta é que meu noivo mora na capital. Ele vai continuar de plantão aqui e, qualquer novidade, volto imediatamente." "Sou mãe, preciso ficar perto da minha família que está angustiada no Rio. Vou precisar voltar para eles, mas não queria", disse a comerciante Jaqueline Salgado, irmã do engenheiro Luis Smith. "A gente precisa encontrar forças para continuar a viver." A TAM informou que oferece a possibilidade de todos os familiares voltarem para as suas cidades, com garantia de passagem para São Paulo a qualquer hora. E promete avisar imediatamente caso os corpos sejam identificados. Frase ?"Estou juntando os cacos que sobraram de mim e tentando recomeçar a vida. Não dá para pensar em negócios ainda, mas é necessário voltar a trabalhar. É muito difícil enfrentar a dor sem a passagem do enterro, mas estou me esforçando" Christophe Haddad Empresário

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