Sem patrocínios estatais, carnaval de Salvador tem queda na captação de recursos

Prefeitura diz que investimento para a festa deste ano é maior, de cerca de R$ 50 milhões, mas a captação está em R$ 28,8 milhões

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2015 | 19h30

SALVADOR - Após o anúncio, no ano passado, que o carnaval de Salvador pela primeira vez havia dado "lucro" direto para o município, por causa da arrecadação de R$ 38 milhões em patrocínios para a festa - que teve um custo estimado de R$ 30 milhões -, a prefeitura da capital baiana ainda corre atrás de apoiadores para fechar a conta do carnaval deste ano. Segundo a administração municipal, o investimento direto para a festa deste ano, que tem como tema "Os 30 anos da axé music", é maior, de cerca de R$ 50 milhões, mas a captação de recursos está menor, em R$ 28,8 milhões.

Até o momento, segundo o secretário de Cultura e Turismo, Érico Mendonça, foram fechados patrocínios oficiais com quatro empresas. As cervejarias Brasil Kirin (Schin) e Grupo Petrópolis (Itaipava) vão investir R$ 10,2 milhões cada - o mesmo montante do ano passado -, enquanto o Banco Itaú e a companhia aérea Air Europa entram com R$ 4,2 milhões, cada. De acordo com Mendonça, está para ser fechada mais uma cota de patrocínio, mas ele não revelou o nome da empresa.

Na comparação com os anos anteriores, a principal novidade na lista de patrocinadores é a presença de uma companhia aérea e as maiores ausências são a estatal Petrobrás e o governo da Bahia. A prefeitura ainda tenta convencer a estatal, que já havia anunciado que não apoiaria financeiramente a festa, deixando de injetar cerca de R$ 5 milhões na folia de Salvador (o investimento feito no ano passado). A empresa, porém, manteve o patrocínio aos blocos afro mais conhecidos, como o Olodum e o Ilê Aiyê - de cerca de R$ 2 milhões, no total. 

Já o governo do Estado, segundo o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto (DEM), está inadimplente de sua cota de patrocínio do ano passado, de R$ 4 milhões. "O governo ainda não pagou a festa de 2014, então não pudemos discutir o patrocínio para este ano", justificou o gestor, concorrente político do governo estadual, gerido pelo PT de Rui Costa.

Apesar da retração na arrecadação, a festa será maior e contará com mais espaços para a folia na cidade, diz o prefeito. Entre as novidades estão um "pré-carnaval" com blocos de rua, aberto ao público, no dia 8, espaço com programação infantil em um dos circuitos, área de música eletrônica em outro, a instalação de uma roda gigante nas proximidades do Farol da Barra e o fortalecimento do carnaval nos bairros, com a presença de bandas conhecidas da folia baiana, como o Chiclete com Banana.

A estrutura da festa, que tem início no dia 11, porém, será similar à do ano passado, com a criação de "zonas de exclusividade comercial" nos circuitos para os patrocinadores. Este ano, o Grupo Petrópolis terá exclusividade de vendas de bebidas no Circuito Osmar (Campo Grande) e a Brasil Kirin, no Circuito Dodô (Barra-Ondina).

Para ACM Neto, mesmo que as cotas de patrocínio não sejam suficientes para arcar com as despesas da festa, o carnaval não vai dar prejuízo para a cidade, já que a arrecadação de impostos diretamente relacionados com a festa deve chegar a R$ 80 milhões. De acordo com ele, são esperados entre 700 mil e 800 mil visitantes na cidade durante a folia.

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