Sem presente, criança vende brinquedo na rua

O dia de um menino na 25 de Março

O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

Na Rua 25 de Março, região central, Rogério (nome fictício), de 11 anos, levanta um kit com seis miniaturas e entoa: "Olha o carrinho!". Não soa estranho um garoto com um brinquedo no Dia das Crianças, não fossem mais dois kits que segura na outra mão. Rogério não está brincando, e sim trabalhando. No mesmo horário, a realidade no Parque do Ibirapuera, na zona sul, era outra. Crianças estreavam os brinquedos ganhos dos pais. "O que eu mais quero é brincar até a noite", dizia a menina T., de 10 anos, acompanhada da mãe, do irmão de 7 anos e da irmã de 2. Já na 25, Rogério afasta qualquer suspeita de exploração infantil. "Venho de feriado e sábado com minha mãe, mas porque quero", explica o quarto filho de C., de 39 anos. A ex-costureira trabalha nas ruas há três anos, depois que uma tendinite custou o emprego formal. C. não tem o Termo de Permissão de Uso (TPU), concedido pela Prefeitura a apenas 81 camelôs da região. No Ibirapuera, T. ensaia passos de balé na grama. Já pratica a profissão que quer seguir. "Faço aulas e quero ser profissional." Rogério, por sua vez, não pretende seguir carreira na rua. "Quero ser bombeiro ou médico", diz o aluno da 5ª série de uma escola estadual da zona leste. Enquanto o futuro não chega, repete: "Carrinho de fricção: criança brinca e se diverte." A Ferrari de Fórmula 1 com controle remoto que ele pediu de Dia das Crianças só vai chegar na quarta-feira. "Conversei com ele, disse que hoje não tinha como", explica a mãe, lembrando que a operação da Prefeitura de combate aos ambulantes impediu que ela vendesse o suficiente para garantir o presente do caçula a tempo.

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