Sem Serra, pressão recai sobre Aloysio no PSDB

Apesar dos sinais de que o ex-governador não vai disputar, senador disse a tucanos que, por enquanto, não aceita a missão

Julia Duailibi e Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2011 | 00h00

Em busca de um candidato para disputar a Prefeitura de São Paulo, os tucanos aumentaram a pressão para que o senador Aloysio Nunes Ferreira mude o título eleitoral do interior para a capital e concorra à eleição de 2012.

O resultado da pesquisa Datafolha, divulgado ontem, mostrou que o senador é o candidato do PSDB com maior intenção de voto, depois do ex-governador José Serra. No cenário mais positivo para os dois, com o ministro Fernando Haddad (Educação) como nome do PT, Aloysio tem 10% das intenções de voto, e Serra 19% - eles ganham do petista.

A informação que mais chamou a atenção dos tucanos foi a rejeição a Serra, que chegou a 32%. A senadora Marta Suplicy, que lidera a disputa em todos os cenários em que aparece, tem 30% de rejeição. No PSDB, o resultado torna ainda mais remota a possibilidade de o ex-governador embarcar na corrida.

Apontado como nome capaz de unir PSDB, DEM e PSD, partido a ser criado pelo prefeito Gilberto Kassab, Aloysio reiterou aos tucanos que, assim como Serra, não quer concorrer. Também se mostrou contrariado com as tentativas de fazê-lo "engolir uma candidatura goela abaixo".

Embora haja a expectativa em setores do partido de que ele traga o título para São Paulo até outubro, o senador avisou que essa movimentação só serviria para aumentar as especulações envolvendo seu nome. Serra e Aloysio chegaram a ficar com relações estremecidas nestes últimos meses em razão da pressão para que o senador dispute a Prefeitura.

Tanto a ala serrista quanto o grupo do governador Geraldo Alckmin, com menor simpatia, o veem como um nome forte. Mas, apesar de os tucanos darem como certa a coligação com o PSD, caso o candidato seja Aloysio, não é fato que o prefeito apoiaria o PSDB num projeto sem Serra como cabeça de chapa.

Para o presidente do PSDB, deputado Sergio Guerra (CE), Marta tem um desempenho positivo por causa do recall das últimas eleições. Serra aparece 11 pontos porcentuais atrás da petista porque o eleitor paulistano não o vê como candidato a prefeito, avalia o tucano. "O PSDB tem candidatos de dois tipos: os que já venceram eleições majoritárias, como Serra e Aloysio, e os demais, que são mais novos para o eleitor e sobre os quais as pesquisas não dizem muito", disse Guerra, em referência aos secretários Bruno Covas (Meio Ambiente), que tem 6% dos votos, e José Aníbal (Energia), com intenção de voto que varia entre 4% e 5%.

Prévias. O secretário de Cultura do Estado, Andrea Matarazzo, disse ontem que pretende disputar a Prefeitura. "Pretendo e vou disputar as prévias do PSDB", afirmou o secretário. O nome dele é visto como uma alternativa do grupo serrista, num cenário sem Serra nem Aloysio.

Matarazzo, no entanto, tem mais dificuldade de viabilizar uma candidatura internamente. A interlocutores ele disse acreditar que o nome de Serra estará fora da disputa interna do partido. / COLABOROU UBIRATAN BRASIL

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