Sem-terra preparam nova onda de invasões em julho

O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) em Pernambuco, Jaime Amorim, anunciou ontem nova jornada de ocupações em julho. O pretexto será a comemoração ao Dia do Camponês. A informação foi dada após a retirada dos invasores da sede do Incra no Recife, cuja área externa foi ocupada há uma semana por cerca de mil militantes. A desocupação significou o encerramento do "abril vermelho" em Pernambuco, que incluiu invasão de 25 áreas em todo o Estado e a paralisação do trânsito, no Recife, na manhã de segunda-feira.

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

Amorim afirmou que as negociações em torno da pauta de reivindicações, iniciadas nesta semana, continuam. Na terça-feira, segundo ele, representantes do movimento se reunirão com o governador Eduardo Campos (PSB) e com o presidente do Incra, Rolf Hackbart, no Recife.

Na pauta da discussão, áreas de conflito como o acampamento Pontal Sul, em Petrolina, onde os sem-terra reclamam terras da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). Foram quatro ocupações desde abril de 2006 e quatro despejos, envolvendo cerca de 1,5 mil famílias que se encontram acampadas na margem da BR-408.

Bancos.[ ] [/ ]Depois de driblar um forte esquema da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, cerca de 250 sem-terra conseguiram realizar mais uma ação do "abril vermelho'' no Estado. Os manifestantes queriam ocupar uma agência da Caixa Econômica Federal e outra do Banco do Brasil, mas encontraram os estabelecimentos cercado pelos PMs.

O esquema policial começou às 4 horas da madrugada, quando cinco ônibus lotados de sem-terra foram barrados a 70 quilômetros do perímetro urbano de Ponta Porã, extremo sul do Estado, onde as ocupações aconteceriam com pelo pelos 800 sem-terra, segundo estimativa do MST.

Desse contingente, porém, 250 conseguiram furar o bloqueio e chegaram à cidade. "Entregamos as reivindicações aos bancos. Entre elas queremos anistia da dívida bancária dos assentados pelo governo federal", afirmou o líder Jocemar Pereira.

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