Sem-terra tomam fazenda em que trabalhavam

A fazenda Fruit Fort, localizada em Petrolina, no sertão do São Francisco, em Pernambuco, foi ocupada no domingo por 150 famílias que querem a desapropriação da área para reforma agrária. A informação é do Movimento dos Sem Terra (MST).

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2011 | 00h00

Segundo um dos dirigentes do movimento, Florisvaldo Alves, a propriedade, produtora de frutas, está falida e metade dos acampados é de ex-funcionários que foram demitidos sem receber seus direitos trabalhistas. O acampamento foi feito na entrada da propriedade, junto à BR-235, em frente ao aeroporto Nilo Coelho.

A assessora de comunicação Karla Pereira, do Incra do Médio São Francisco - que engloba 36 municípios de Pernambuco e seis da Bahia -, disse que a instituição não recebeu nenhuma solicitação, nem do MST nem da empresa. "Só podemos averiguar a partir de uma solicitação formal", disse. "O assunto deve ser resolvido entre o proprietário e o movimento".

Assentados. Segundo a assessora, esta é a primeira ocupação do ano na região. Existem atualmente, de acordo com o Incra, 11,3 mil famílias assentadas e 4,5 mil acampadas em 42 municípios da região.

Florisvaldo Alves afirma que, em setembro de 2009, os funcionários da empresa entraram em greve por atraso nos salários. Logo depois, a Fruit Fort teria falido e os funcionários foram demitidos sem indenização. A empresa é acusada ainda de explorar trabalho em condições análogas à escravidão. Procurada, a Fruit Fort não respondeu às ligações. "Uma área que não está produzindo, não gera emprego e viola direitos trabalhadores, deve, segundo a Constituição, ser desapropriada", sustenta o dirigente.

Ele disse ainda que uma ex-funcionária da empresa, Lena Menezes, é hoje integrante da direção estadual do MST, tendo vivido essa realidade de falta de pagamento e testemunhado "a situação degradante em que viviam os trabalhadores".

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