Sem-teto pressionam Prefeitura por moradia

Integrantes do Movimento dos Sem Teto de Heliopólis que ocupam, desde a madrugada de sábado, um terreno da Prefeitura na altura do número 2.020, da Avenida Tancredo Neves, no Ipiranga, zona Sul da Capital, afirmaram hoje à tarde que só irão desocupar o local depois que receberem uma proposta concreta da construção de um conjunto habitacional na região. Os invasores montaram um acampamento com lonas e faixas de protesto contra a administração da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT).O diretor da Movimento, Paulo Roberto Nunes Viana, disse que os sem-teto estão dispostos a resistir a uma eventual operação de desocupação da Polícia Militar. "Este povo não tem onde ficar e passa necessidade. Só sairemos deste terreno depois que assinarmos um convênio com a prefeitura e recebermos terras suficientes para instalar as famílias desabrigadas. Se a polícia vier nos retirar, vamos resistir", afirmou Viana.O terreno invadido servia como depósito de materiais utilizados no recapeamento de vias públicas e tem cerca de 2,5 mil metros quadrados. Cerca de 500 pessoas estão instaladas sobre uma grande lona amarela e deitadas sobre tapetes velhos e papelões, entre pedras, areia, pneus e restos de piche e concreto. Os sem-teto realizaram uma ligação clandestina de energia elétrica de um poste ao lado do terreno e estão bebendo água extraída de um encanamento já existente no terreno.Paulo Viana afirma que desde de 1997 já discute com a prefeitura um terreno para abrigar as famílias sem-teto da região do Heliopólis. Entre as propostas do movimento está a integração da subprefeitura do Ipiranga com a Secretaria Municipal de Habitação e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU) para compra, desapropriação de terrenos na região para a instalação de um programa de habitação popular. "Nunca recebemos uma proposta decente, nada de concreto. Já indicamos à Prefeitura alguns terrenos abandonados na própria Avenida Tancredo Neves e na Avenida Presidente Wilson, mas falta vontade política", disse.Os sem-teto receberam no sábado a visita do subprfeito do Ipiranga, Carlos Massato Kiyomoto, que marcou uma reunião com os diretores da movimento para segunda-feira, às 10 horas. "O subprefeito veio até local e disse que não poderíamos ficar no terreno porque não é apropriado para moradia popular. Sinceramente, não espero que nesta reunião a Prefeitura faça uma boa proposta. Mas vamos ficar no terreno até conseguir nosso objetivo", disse Paulo Viana.

Agencia Estado,

23 de fevereiro de 2003 | 19h02

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