Sem-teto prometem resistir à reintegração de posse em PE

Armados com lanças feitas de bambu, facões, foices, pedras, tijolos e pedaços de ferro, cerca de 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto (MTST) que ocupam um terreno pertencente à União, na BR-101, no município do Cabo de Santo Agostinho, estão preparados para resistir a uma reintegração de posse concedida pela justiça federal."Vamos enfrentar o Batalhão de Choque da Polícia Militar, se for preciso", garantiu o coordenador do movimento no município, José Francisco da Silva. "Estamos com todo um esquema pronto, todo o aparato e uma quantidade grande de material para ser usado como arma". A fonte desse material é a sucata da destilaria de álcool que funcionou no local, que pertencia ao extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). A área tem 13 hectares e seus portões estão fechados com cadeado pelos sem-teto."Se a polícia entrar, vamos atacar", afirmou Silva. Os sem-teto estão posicionados em cima de uma grande laje de um antigo tanque de álcool. "Daqui a posição é privilegiada e poderemos nos defender e jogar nossas armas contra os policiais", disse ele. As mulheres grávidas, crianças e idosos ficarão protegidos em um local isolado, numa outra ruína, em caso de confronto. "Pensamos em tudo"."Estamos cansados de negociar, de obedecer às decisões judiciais e de não conseguir nada", afirmou José Francisco da Silva. "Por isso, o movimento decidiu agir diferente agora". Ele argumentou que o povo está revoltado e quer resultados. "A gente só recebe promessa". O MTST tem 35 ocupações de prédios e terrenos em todo o Estado.

Agencia Estado,

19 de agosto de 2003 | 17h05

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