Sem-teto promovem protesto em São Paulo

Pelo menos 700 pessoas, que foram retiradas de um terreno da Eletropaulo, nesta quarta-feira, fecharam a Avenida das Juntas Provisórias, em protesto, na Vila Carioca, zona sul de São Paulo. A remoção ocorreu de manhã com a ajuda da Polícia Militar.O bloqueio aconteceu na pista Ipiranga-Vila Prudente, onde todas as faixas foram fechadas, às 18h30. A Tropa de Choque da PM interveio com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e spray pimenta.Com a ação, os moradores transferiram-se para a Rua Comandante Taylor, onde armaram outro bloqueio, colocando fogo em pneus e pedaços de madeira. De novo a polícia agiu, com o apoio dos bombeiros, e acabou detendo 12 pessoas. O trânsito ficou lento nas avenidas Tancredo Neves e Luiz Inácio de Anhaia Melo, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). No meio da tarde, em outro protesto, os moradores haviam virado um Escort que tentou passar pelos manifestantes.As cerca de 190 famílias viviam sob os fios de alta tensão da Eletropaulo e tiveram de sair até as 13 horas. Mais de 300 policiais militares acompanharam o despejo, seguido da destruição das casas e barracos.A Eletropaulo alega que não houve tempo hábil para fazer um acordo antes da reintegração de posse, decidida em dezembro. Segundo o diretor-executivo da empresa, José Sampaio Meirelles, o juiz já havia dado uma prorrogação de prazo, há 40 dias, e negou um novo pedido diante do risco que as pessoas corriam morando no local. "A partir do momento que a Sehab tinha um termo de compromisso, não estava mais nas minhas mãos. A decisão foi do juiz", argumenta o diretor.Pelo documento da Sehab, a Eletropaulo comprometia-se a reformar o Alojamento Carioca, que pertence à Cohab, e fica ao lado do terreno da empresa, para receber os desalojados.Antes, as pessoas que estão no alojamento seriam removidas para os prédios da Cohab, nas proximidades, que estão em fase de acabamento.Uma reunião está marcada para esta quinta-feira, às 9 horas, na Administração Regional do Ipiranga, para discutir quais providências a Prefeitura tomará em relação aos moradores. O secretário Paulo Teixeira estará presente. Em seguida, ele recebe os moradores para uma reunião.Depois dos protestos, o presidente da União de Nucleos, Associações e Sociedades dos Moradores de Heliópolis e São João Climaco, João Miranda Neto, reclamava da situação. "A entrega dos apartamentos está atrasada em dois anos e o alojamento está miserável." Segundo a assessoria da Sehab, o conjunto habitacional terá 344 unidades, mais que o alojamento, que tem capacidade para 265 famílias.

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