Sem-teto protestam e conseguem retomada de mutirão

Foram 17 horas de mobilização para reivindicar o direito a moradia. Nesse período, a União dos Movimentos de Moradias (UMM) realizou duas manifestações na cidade e invadiu um prédio particular. No fim da tarde desta quarta, 26, o movimento conseguiu apenas a retomada de seis mutirões pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que devem beneficiar 400 famílias do Jaraguá e do Tucuruvi. "Também marcamos uma reunião para o dia 4 de maio com o secretário Estadual de Habitação, Márcio Bueno, quando deverá ser agendada uma audiência com o governador", disse o coordenador nacional da União, Donizete Fernandes.Na pauta de reivindicações da UMM estão a integração dos programas habitacionais dos governos federal, estadual e municipal, a realização de mutirões pela CDHU e pela Prefeitura e a retomada de todos os projetos habitacionais no centro da cidade. "Pelo nosso cálculo, que inclui encortiçados e favelas, o déficit habitacional de São Paulo é de 1,5 milhão de moradias", afirmou Fernandes.A mobilização teve início às 23 horas de terça-feira, quando 120 famílias acamparam na frente da Prefeitura e só saíram após serem recebidas pelo secretário Municipal de Habitação, Orlando de Almeida, por volta das 10 horas. Os manifestantes pediram a retomada do mutirão Quilombo dos Palmares, na zona leste, com unidades para 190 famílias.Mas, segundo os manifestantes, Almeida ficou de analisar a situação. No fim da tarde, a secretaria divulgou nota com todas as realizações da pasta, incluindo a liberação de R$ 18,24 milhões para mutirões.Durante a madrugada, um outro grupo de 200 pessoas invadiu um prédio em construção na Estrada Santa Inês, na zona norte. "Estamos em uma jornada de luta, por isso nos dividimos em grupos para podermos pressionar em várias áreas", explicou o coordenador executivo do movimento na zona leste, Valdir Lima.A última ação foi uma passeata da Ponte Cidade Jardim até o Palácio dos Bandeirantes, na zona sul, com 450 pessoas, segundo a Polícia Militar. A manifestação começou ao meio-dia e só terminou às 16 horas. A Avenida Morumbi ficou interditada por três horas. "Eu não conhecia as reivindicações, anotamos e esclarecemos o que foi possível. Por isso, marquei nova reunião", disse o secretário Márcio Bueno. Ele também ficou de estudar a possibilidade de não despejar famílias da Favela Icaraí, na zona sul, que ocupa um terreno da CDHU.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.