MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

Sem verba da prefeitura, blocos do Rio ameaçam não desfilar em 2018

Decisão foi divulgada durante entrevista concedida nesta quinta por representantes de cinco entidades carnavalescas e dois blocos

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2017 | 23h09

RIO - Representantes dos principais blocos carnavalescos do Rio de Janeiro anunciaram nesta quinta-feira, 23, que, se não passarem a receber auxílio financeiro direto ou indireto da prefeitura, não desfilarão em 2018. Os blocos, que chegam a reunir mais de um milhão de pessoas, atualmente não recebem nenhuma ajuda financeira do Poder Público. A decisão foi divulgada durante entrevista concedida nesta quinta-feira, 23, por representantes de cinco entidades carnavalescas e dois blocos (Cordão da Bola Preta e Cordão do Boitatá).

"Cada bloco gasta no mínimo R$ 30 mil no carnaval, e para bancar o desfile tem gente que já vendeu carro, gente que faz empréstimo e se compromete (com bancos) pelo ano inteiro. Chegamos a um nível de endividamento insustentável", afirma Rita Fernandes, presidente da Sebastiana, primeira entidade do setor e que atualmente reúne 11 dos mais importantes blocos da cidade.

Surgidos como brincadeira entre amigos, a partir da década passada os blocos carnavalescos do Rio passaram a reunir multidões e a se multiplicar. Neste ano, 451 blocos se credenciaram para desfilar pelas ruas do Rio. Como alguns se apresentam mais de uma vez, eles farão 578 desfiles. Esse número não inclui os blocos que não se submetem às regras da prefeitura e desfilam sem se credenciar - há um número cada vez maior desses.

O Cordão da Bola Preta é o bloco mais tradicional - criado em 1919, fará neste ano seu 99º desfile - e também o que reúne mais gente - já chegou a atrair 1,5 milhão de pessoas e a previsão para o desfile deste ano, a ser realizado na manhã de sábado, é de reunir 1 milhão de foliões.

A prefeitura oferece banheiros químicos - neste ano serão 31 mil posições - e isola monumentos e jardins com grades. Para isso usa dinheiro de patrocinadores - a venda de bebida é feita por ambulantes credenciados que só podem oferecer uma marca de cerveja. A segurança dos foliões é responsabilidade da Polícia Militar. Os blocos gastam pelo menos com equipamentos de som e seguranças para os ritmistas. "Um bloco como o Simpatia é Quase Amor, que desfila em Ipanema, atrai cerca de 200 mil pessoas. Precisa de pelo menos dois carros de som e de 200 seguranças, para proteger a bateria, cercada com corda", afirma Rita Fernandes. "Já cortamos todos os gastos possíveis. O Simpatia desfilou com um único carro de som, o que já compromete a apresentação. Agora precisamos de ajuda financeira. O carnaval movimenta R$ 3 bilhões na cidade, segundo a prefeitura. Os blocos são um atrativo fundamental dessa festa, então é justo que recebam alguma pequena parte desse valor", reclama.

Consultada sobre a decisão anunciada pelos representantes dos blocos, a prefeitura afirmou, em nota, que "irá conversar com os representantes dos blocos no momento em que a festa do próximo ano começar sua organização", porque "neste momento está trabalhando para fazer do carnaval de 2017 uma festa de paz e alegria. Todos os órgãos envolvidos na logística do carnaval, tais como Riotur, Comlurb, Ordem Pública, etc estão empenhados no carnaval deste ano", conclui.

Em outra nota, a Empresa de Turismo do Município do Rio (Riotur) afirmou que "tem todo interesse no diálogo com os blocos para a realização de um carnaval de rua que transcorra com segurança e alegria", que "se dispôs a colaborar com todos os pedidos, mas não houve tempo hábil para mudança de ações este ano, já que os contratos foram todos fechados na gestão anterior" e que "para os próximos carnavais, a Riotur sentará novamente com os blocos e seus representantes para tentar viabilizar adequações no planejamento do carnaval de rua".

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