Semana na capital será de mais temporais

Se previsão se confirmar, índice de chuva pode superar média histórica

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

10 Fevereiro 2009 | 00h00

São Paulo mal saiu de uma tempestade que provocou morte e destruição e já vai enfrentar uma semana de chuvas fortes e novos alagamentos. A previsão é de que as precipitações se mantenham até sábado com fortes pancadas hoje, quinta e sexta-feira. Se isso se confirmar, podem ser registrados mais de 100 mm de chuva nesta semana, o que fará com que o índice acumulado em fevereiro fiquei acima da média histórica antes mesmo da metade do mês.Foram registrados até as 10 horas de ontem 100,2 mm de chuva, quase metade da média histórica do mês - 230 mm. De acordo com a Climatempo, as chuvas são consequência da chegada de uma frente fria vinda do sul que encontrou um ambiente com elevadas temperaturas. As pancadas de ontem devem se manter hoje e só enfraquecerão amanhã, quando a frente fria se desloca. No entanto, outra deve se aproximar na quinta-feira e se manter até o fim de semana, trazendo fortes temporais. "É uma semana complicada. Os rios ainda estão altos e tivemos muitos alagamentos no fim de semana. E agora vamos emendar com mais chuva forte", diz a meteorologista Fabiana Weykamp.As fortes chuvas também estão causando prejuízos e colocando em risco algumas construções. Na tarde de ontem, parte do forro do teto do Shopping Morumbi, na zona sul, caiu na parte externa de uma das portarias do local. De acordo com Assessoria de Imprensa, "fragmentos do teto" se desprenderam em uma área que dá acesso a caixas eletrônicos de bancos. Ninguém ficou ferido. No sábado, a chuva também causou desabamento de gesso do teto no Shopping Interlagos, zona sul. A chuva da tarde de ontem derrubou uma árvore de grande porte do alto de um barranco de cerca de dez metros, no bairro do Morumbi. Ninguém se feriu. O acidente ocorreu por volta das 15 horas. Fios elétricos foram atingidos, mas a Eletropaulo informou que não houve corte de energia na região. Os bombeiros isolaram a área e serraram o tronco da árvore, liberando o trânsito.BOURBONMuitos especialistas apontam o crescimento imobiliário de muitas regiões, como a Pompeia, na zona oeste, como uma das razões para os problemas de enchente. "Algumas regiões se tornaram impermeabilizadas, impedindo a evasão da água para o subsolo", diz o engenheiro do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) Hassan Barakat.Um exemplo de grande empreendimento na Pompeia é o Shopping Bourbon, inaugurado no ano passado. A Prefeitura exigiu do empreendimento a construção de um reservatório de 400 mil litros para armazenar a água da chuva que incide ali. Os responsáveis construíram dois, um com capacidade para 1,5 milhão de litros e outro para 415 mil litros. Mas, de acordo com a Prefeitura, "essa medida foi para não agravar a situação e não teve o objetivo de resolver os problemas de drenagem, que exigem soluções estruturais". O shopping também pagou, em contrapartidas, R$ 8,3 milhões, que foram depositados na conta de um fundo de intervenção urbana da Prefeitura. A Emurb afirma que parte dos recursos de toda a operação urbana da região "já foi utilizada na contratação de estudos de drenagem". Além disso, de acordo com sua Assessoria de Imprensa, "são intervenções caras e que nem sempre podem ser implantadas parcialmente, o que exige recursos relativamente vultosos". NÚMEROS100,2 mm de chuva foram registrados desde o início do mês até as 10h de ontem400 mil litros é a capacidade do reservatório que a Prefeitura exigiu que os responsáveis pelo Shopping Bourbon construíssemR$ 8,3 milhões foi o que o shopping pagou em contrapartidas pelo impacto do empreendimento na região

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