Reprodução/Facebook
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Senado aprova aumento de pena e multa para quem maltratar animais

O projeto de lei foi relatado pela líder do MDB na Casa, Simone Tebet (MS), e contou com a mobilização de artistas no Senado.

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 00h06

BRASÍLIA - O Senado aprovou projeto de lei que amplia a pena para maus-tratos a animais e estabelece punição financeira para estabelecimentos comerciais que permitirem ou praticarem o ato. A proposta é do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). O projeto de lei foi relatado pela líder do MDB na Casa, Simone Tebet (MS), e contou com a mobilização de artistas no Senado.  

Maltratar animais silvestres, domésticos ou domesticados já era crime ambiental, mas a pena foi elevada para 1 a 4 anos de detenção. Antes, a pena era de três meses a um ano. Além disso, haverá multa para quem praticar o ato e também para o estabelecimento comercial que o praticar ou cometer negligência ou omissão. A multa será de um a até mil salários mínimos.

O projeto foi incluído na pauta do Senado após o episódio que ocorreu em uma loja da rede Carrefour em Osasco, na Grande São Paulo, em que um segurança espancou e matou um cachorro no estacionamento do supermercado. A proposta segue agora para a Câmara dos Deputados.

A senadora esclareceu que o projeto não atinge a cadeia produtiva alimentar, nem a vaquejada, que foi incluída como patrimônio cultural por meio de emenda constitucional. Apesar disso, o Senado aprovou uma emenda para deixar claro que a vaquejada foi excluída do escopo desse projeto de lei.

Pena. Como o projeto prevê detenção de até quatro anos, a condenação não prevê regime fechado, disse a senadora. Os senadores cogitaram substituir reclusão por detenção, mas o problema permaneceria, pois apenas condenações superiores a oito anos exigem regime fechado. "Ninguém vai ser condenado em regime fechado. Quando a pena é de até oito anos, o regime ou é aberto ou semiaberto. Isso vai continuar", afirmou a senadora.

"O que tem de mais relevante é a multa; tem de doer no bolso. A pessoa tem que saber que, se maltratar um animal, pode pagar uma multa de um salário mínimo e, em caso de genocídio ou maus-tratos generalizados, até mil salários mínimos, além do avanço em relação ao estabelecimento comercial, que não havia", disse a senadora.

O episódio do cãozinho “Manchinha”, que morreu após ser agredido por um segurança do Carrefour, não é um caso isolado de maus-tratos a animais. Em dois anos de funcionamento, a Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (Depa), da Secretaria da Segurança Pública (SSP), recebeu mais de 16 mil denúncias de agressões e violência contra animais domésticos. Muitas foram feitas por celular, com o envio de fotos e vídeos. 

Serviço

Delegacia Eletrônica de Proteção Animal: denúncias podem ser encaminhadas e acompanhadas pelo site www.ssp.sp.gov.br/depa 

 

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