Senado é caminho de ex-governadores

É quase uma regra na política que ex-governadores sem espaço no seu Estado busquem na guarida do Senado um período "sabático". No próximo ano, quando os novos membros tomarem posse, a Casa pode ficar com até 32 ex-governadores e três ex-presidentes da República entre os 81 senadores.

, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

Os exemplos vêm de longe. Ao deixar o governo do Maranhão, nos idos de 1970, José Sarney conseguiu mandato de senador pela Arena. Em 1990, ao deixar a Presidência da República, voltou ao Senado pelo PMDB do Amapá. Hoje, aos 80 anos, está no terceiro mandato consecutivo e é presidente da Casa.

Ex-presidente e ex-governador de Alagoas, Fernando Collor (PTB), 61 anos, perdeu a disputa pelo governo estadual, mas tem mandato no Senado até 2015. Itamar Franco (PPS), de 80 anos, também ocupou os cargos de chefe da República e governador de Minas Gerais. Senador por três mandatos, conquistou no domingo o direito de passar por mais um período de 8 anos na Casa.

Além dos 10 ex-governadores com mandato até 2015, outros 22 foram eleitos no dia 3, somando 35,9% do Senado. O número pode mudar porque quatro deles foram barrados pela Lei da Ficha Limpa e aguardam decisão do Supremo Tribunal Federal: João Capiberibe (PSB-AP), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Ivo Cassol (PP-RO).

Eduardo Braga (PMDB) deixou o governo do Amazonas e foi eleito senador. Aécio Neves saiu de oito anos consecutivos à frente ao governo de Minas para estrear no Senado. No próximo ano, a bancada do Maranhão será formada integralmente por ex-governadores: Edison Lobão (PMDB), João Alberto (PMDB) e Cafeteira (PTB).

"Vale lembrar que todos passam pelo crivo dos votos. De oito em oito anos, o eleitor avalia quem fica e quem volta para casa. Quem está lá tem algum mérito", diz Wellington Dias (PT), ex-governador do Piauí, eleito senador. "Antigamente era uma regra sair do governo e ir para o Senado. Você fica tocando obras, cuidando do Estado, e depois fica até mais fácil ser eleito senador. Dificulta até a eleição dos senadores que estão lá , longe das bases eleitorais", teoriza Garibaldi Alves Filho (PMDB), reeleito para o Senado e ex- governador do Rio Grande do Norte.

Reeleito, Cristovam Buarque (PDT), ex- governador do Distrito Federal (1994-98), diz que a Casa reúne grandes pensadores do País. Para ele, só deveria ser proibido que ex-presidentes ocupassem cargos eletivos ao final do mandato. "Não deveriam ocupar função política, e sim serem velhos estadistas, escritores, colecionadores de livros, ou apenas avôs."

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