Fabio Rodrigues Pozzebom/ABR–26/4/2011
Fabio Rodrigues Pozzebom/ABR–26/4/2011

Senado livra Requião em caso de ameaça a repórter

Para advogados da Casa, intimidação a jornalista e atitude de tomar-lhe o gravador não configuraram falta de decoro; Sarney manda arquivar denúncia

Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2011 | 00h00

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) não sofrerá nenhuma advertência por ter arrancado um gravador das mãos de um repórter, confiscado a fita e ameaçado bater no profissional, durante entrevista, no cafezinho do Senado, em abril deste ano.

Parecer da advocacia do Senado entendeu que não configurou falta de decoro parlamentar a ameaça de agressão física feita pela senador. O documento, assinado pelos advogados Fernando Cunha e Hugo Souto Kalil e endossado pelo advogado-geral Alberto Cascais, considerou a reação do senador paranaense adequada ao mandato parlamentar.

O episódio ocorreu em 25 de abril deste ano. Durante entrevista, Requião reagiu enfurecido a uma pergunta do repórter Victor Boyadjian, da Rádio Bandeirantes, sobre sua aposentadoria vitalícia como ex-governador do Paraná. De dedo em riste, perguntou: "Você quer apanhar"? Em seguida, tomou o gravador das mãos de Boyadjian.

No mesmo dia, entrou no Twitter e se vangloriou do episódio: "Acabo de ficar com o gravador de um provocador engraçadinho. Numa boa, vou deletá-lo". De fato, mais tarde o aparelho foi devolvido ao repórter, com a gravação apagada.

Para os advogados, contudo, esse episódio foi irrelevante. Em vez de sugerir ao senador que se contenha a partir de agora, o parecer ironiza a iniciativa do Sindicato dos Jornalistas, que pediu providências ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), contra as agressões de Requião. Para a advocacia do Senado, o sindicato não tem legitimidade para deflagrar processo administrativo disciplinar contra um parlamentar e Requião não infringiu normas de conduta de um senador.

"Principalmente porque tais deveres são demonstrados por um conjunto de atos do exercício do mandato e não por fato isolado", concluiu o relatório. Com tal parecer, Sarney determinou o arquivamento da ação.

Requião gostou do desfecho. "Você queria que eles dissessem o quê? Eu respondi às perguntas até que ele veio dar uma de engraçadinho", afirmou, reiterando que não tem por que falar de sua aposentadoria vitalícia de ex-governador, hoje extinta.

Reincidente. Requião é reincidente em reações truculentas com jornalistas. Como governador, fez campanha publicitária contra veículos de imprensa, xingou jornalistas e chegou a agredir um repórter em Centenário do Sul (PR), em 2004. Na ocasião, torceu o dedo de um jornalista que insistia em uma pergunta e só parou diante do protesto de outros repórteres.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.