Senado pagará de novo por projeto de reforma

Fundação Getúlio Vargas foi recontratada por R$ 250 mil, o mesmo valor pago pelo primeiro trabalho que foi feito em 2009 e não saiu do papel

Ana Paula Scinocca e Leandro Colon, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

Um ano após a maior crise de sua história, o Senado deu um passo atrás e anunciou que contratou novamente a Fundação Getúlio Vargas para fazer uma reforma administrativa na Casa. O preço é o mesmo já pago à FGV em 2009: R$ 250 mil.

Isso contradiz discurso do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em 17 de julho passado, de que a primeira proposta da FGV daria resultado concreto.

A recontratação da FGV foi anunciada ontem por Tasso Jereissati (PSDB-CE), relator da comissão de senadores criada para elaborar a reforma, prometida por Sarney, no ano passado, para diminuir a estrutura inchada de 10 mil funcionários e uma folha de pagamento de R$ 2,1 bilhões.

As mudanças até agora não saíram do papel e a diretoria-geral guarda a sete chaves um projeto de aumento de salários dos próprios funcionários que aguarda votação em plenário. Somam-se a isso novas denúncias de fantasmas, manutenção de empresas terceirizadas sob suspeita e o fracasso na tentativa de controlar a frequência dos servidores para evitar abuso com horas extras.

Ao justificar a recontratação da fundação, Tasso acusou os servidores do Senado, sob o comando do diretor- geral, Haroldo Tajra, de terem desvirtuado a primeira versão da reforma. Nos bastidores, esses servidores reclamam que a FGV apresentou estudo sem conhecer in loco o Senado, atuando apenas em cima de organogramas. Eles não aceitam as mudanças sugeridas, como os cortes em gratificações.

Tasso avaliou que o primeiro trabalho da FGV foi superficial e, em plenário, criticou a atual administração do Senado. "Saiu o Agaciel (Maia, ex-diretor) e continua agacielizada", disse. Agaciel Maia comandou a Casa por 14 anos e foi acusado de envolvimento com os atos secretos e outras irregularidades internas.

Integrante da comissão criada para a reestruturação, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi à tribuna criticar as mudanças feitas pelos funcionários em cima da proposta inicial da FGV. "As coisas continuam como se nada tivesse acontecido." Como exemplo do inchaço do Senado, citou a superestrutura da Polícia Legislativa. "Nem no tempo da ditadura tinha algo parecido."

No ano passado, Tasso e Simon integraram grupo de senadores que pediu o afastamento de Sarney, envolvido no escândalo dos atos secretos revelados pelo Estado no dia 10 de junho.

Ontem, Sarney disse apenas que a reforma administrativa da Casa será modelo para a administração pública. A diretoria-geral do Senado afirmou que prestou todos os esclarecimentos para a comissão de senadores que toca a reforma. O diretor da FGV Bianor Cavalcanti, que comanda a reforma em nome da instituição, disse que o objetivo da nova contratação é dar "alinhamento maior" ao que já foi feito.

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