PT/Divulgação-3/9/2011
PT/Divulgação-3/9/2011

Senadores do PT questionam limite de mandato

Regra aprovada em congresso do partido propõe máximo de 2 mandatos consecutivos para eleitos ao Senado e de 3 para vereadores e deputados

Andrea Jubé Vianna / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2011 | 00h00

Senadores petistas questionaram a eficácia da nova regra sobre limitação de mandatos parlamentares, aprovada durante o 4.º Congresso Nacional do PT, realizado no último final de semana, e que passa a integrar o estatuto do partido.

O líder do PT no Senado e membro da Executiva Nacional, Humberto Costa (PE), não descartou a revisão da regra nos próximos congressos a serem realizado pela legenda, antes mesmo que ela seja colocada em prática. Já o senador Wellington Dias (PT-PI) vê a medida como uma "recomendação", e não uma norma impositiva.

A nova regra limita o número de mandatos de parlamentares petistas a três consecutivos para vereadores, deputados estaduais e deputados federais, e a dois seguidos para senadores. A medida valerá somente a partir de 2014, quando todos os parlamentares terão sua contagem de tempo zerada.

O senador Humberto Costa avalia que a medida seria interessante se o voto fosse em lista partidária, defendido pelo PT na reforma política, estivesse em vigor. "Mas no sistema proporcional, corremos o risco de excluir o melhor candidato, que teria condições de puxar uma chapa de deputados", exemplificou.

Ele lembrou que no sistema proporcional, prevalece o "voto nominal", no candidato, e não no partido. "Podemos mudar isso se a gente ver que traz

mais problema que

benefícios", afirmou Costa.

Nova geração. O senador Wellington Dias (PT-PI) disse que "a ideia é correta porque abre espaço para os novos". Mas interpretou a medida como uma regra de orientação às futuras convenções, em que serão escolhidos os candidatos do partido, e não como uma norma de aplicação obrigatória.

Ex-governador do Piauí, Dias lembrou também que a proposta abrange a renovação nos cargos de direção. Ele, que já foi membro do Diretório Nacional do PT, alegou que preferiu não continuar no órgão para dar oportunidade a novos nomes.

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), hesitou em comentar a regra aprovada pelo partido aliado, porque "é um assunto delicado". Mas acabou admitindo que, pessoalmente, é contrário à imposição de um rodízio aos parlamentares.

"Se o parlamentar está fazendo um bom trabalho, por que tem de sair?", questionou Raupp, acrescentando que a prerrogativa de manter o político no Congresso ou retirá-lo de lá deve ser do eleitor.

Contraponto

HUMBERTO COSTA

LÍDER DO PT NO SENADO

"(Com a limitação) No sistema proporcional corremos o risco de excluir o melhor candidato, que teria condições de puxar uma chapa de deputados"

WELLINGTON DIAS

SENADOR (PT-PI)

"A ideia (de limitar o número de mandatos) é correta porque abre espaço para os novos"

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