Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Senadores evitam área crítica de Pedrinhas

Comissão de Direitos Humanos deixa penitenciária sem anunciar medidas práticas

Artur Rodrigues, enviado especial a São Luís, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2014 | 02h01

SÃO LUÍS - Sem ingressar na mais perigosa das oito unidades do Complexo de Pedrinhas, em São Luís, a Comissão de Direitos Humanos do Senado fez nesta segunda-feira, 13, uma visita marcada por denúncias de maquiagem por parte do governo do Maranhão. Enquanto a comitiva circulava por uma área em reforma, a reportagem foi a outro setor do presídio onde os detentos reclamaram de maus-tratos e superlotação.

Após a visita e uma reunião com a governadora Roseana Sarney (PMDB), a comissão deixará o Estado sem anunciar nenhuma medida prática. "Saio daqui bastante preocupada e também com a compreensão de que o sistema prisional do Maranhão não é tão diferente do sistema prisional de outros Estados", disse a presidente do órgão, senadora Ana Rita (PT-ES). O assunto será discutido no Senado.

O senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA) criticou a ação da comissão. "Visitas como essas são muito boas para que a gente possa interferir na gestão da segurança pública. Agora, se formos tratar de direitos humanos, a prioridade absoluta é em relação às vítimas, aos familiares dos policiais."

A equipe comandada por Ana Rita teve acesso a uma ala em reforma da Casa de Detenção e ao Presídio São Luís 1, onde os presos fazem greve de fome em uma das alas. "Nós visitamos onde foi possível visitar. Visitamos duas realidades, a realidade que está em reforma e outra que está em uma situação muito deplorável, muito deprimente. Há superlotação, sim", disse Ana Rita, sobre o São Luís 1.

Na sexta-feira passada, 10, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e outras entidades foram ao Centro de Detenção Provisória (CDP), unidade mais perigosa, e constataram situação muito pior que a dos presídios visitados nesta segunda-feira. No local, havia presos de facções rivais em celas vizinhas e até 21 detentos em locais onde cabem seis.

"Nós não vamos ao CDP porque entre as alegações que foram feitas (pela direção), e nós concordamos, é de que há problemas de segurança de alta magnitude. Não em relação a nós, mas em relação ao processo como um todo", disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

Deputados maranhenses acusam o governo do Estado de maquiar as unidades. "Colchão, tudo limpo. Visitei muitos presídios no Brasil e vi muito isso: maquiagem", disse o deputado federal Domingos Dutra (SDD-MA), que foi da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário. "Maquiação (sic) não existe. Seria muita infantilidade uma postura dessa envergadura", disse o secretário estadual de Administração Penitenciária, Sebastião Uchôa. "Estamos fazendo uma reforma no CDP, de colocação de grades", alegou.

Recuo. O governo federal abortou uma missão para verificar in loco a situação de Pedrinhas, prevista para acontecer nesta semana. O Planalto, no entanto, decidiu ter o menor atrito possível com Roseana para assegurar o apoio do clã Sarney à reeleição de Dilma Rousseff neste ano. Colaborou Rafael Moraes Moura

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