Sensor em teste faz alertas antienchente em MG

Defesa Civil e bombeiros podem ser acionados quando sobe nível de rios e reservatórios

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

07 Outubro 2008 | 00h00

A prevenção aos danos causados pelas enchentes poderá ganhar importante aliado na tecnologia. Um protótipo desenvolvido com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) está sendo testado no município de Rio Acima, região metropolitana de Belo Horizonte. A partir de um equipamento instalado em uma ponte sobre o Rio das Velhas, dados referentes à mudança do nível da água são enviados para celulares ou computador conectado à internet. O monitoramento prévio da elevação dos rios, lagoas e reservatórios é considerado instrumento fundamental para que órgãos como a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros possam antecipar as ações de retirada da população ribeirinha. Batizado de Monitre-TP, o protótipo é composto por sensores submersos, acoplados em uma haste, que monitoram o nível das águas por meio de um transmissor GPRS (sigla do sistema que permite envio e recepção de informações por rede telefônica móvel) ou mesmo via satélite. O equipamento também tem um sistema de alarmes, ajustados conforme as necessidades de cada ponto de monitoramento. Toda a estrutura elétrica é mantida por energia solar e baterias recarregáveis. "O trabalho foi desenvolvido em função do histórico de ocorrências e da necessidade de agilidade da informação", destacou o pesquisador Luiz Augusto de Castro Paiva, da empresa Tolomelli & Paiva, responsável pelo projeto. A tecnologia permite que a Defesa Civil municipal acompanhe, em tempo real - por meio de um portal na internet -, a subida do nível e o risco de transbordamento. No caso do Rio das Velhas, o primeiro alarme é acionado quando o nível sobe a 3,5 metros e o segundo, a 4 metros. A partir daí, a cada meio metro um aviso é enviado instantaneamente. A margem de erro é de 4 centímetros. Em Minas, o acompanhamento do período chuvoso começa em outubro e se estende até abril do ano seguinte, meses em que historicamente são registradas ocorrências graves. No período 2007/2008, segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), 121 municípios foram afetados e 6.220 pessoas ficaram desabrigadas pelas chuvas intensas. No período de 2006/2007, foram 304 municípios afetados e mais de 20 mil pessoas ficaram desalojadas e desabrigadas. A idéia é que, no futuro, diversas bacias mineiras possam contar com o equipamento, que seria vendido para as prefeituras. O pesquisador não estimou um custo para as administrações e disse que ele vai variar conforme as especificidades de cada município e de dificuldades de instalação. O coordenador de Comunicação da Cedec, capitão Edilan Arruda, disse que o órgão considera "interessante" a tecnologia, mas se preocupa com o custo. "Pode ficar restrito às cidades mais desenvolvidas." Paiva prevê a criação de um banco de dados sobre as águas caso as principais bacias mineiras passem a contar com o equipamento. Com isso, seria possível desenvolver avaliação mais criteriosa das cheias e secas no Estado.

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