Sepultamento de estudante acontece em clima de revolta

Ocorreu na manhã deste domingo o sepultamento da estudante Mariana Braga da Costa, de 18 anos, morta na madrugada de sábado, com um tiro na cabeça, durante a festa de calouros na Unesp, em Presidente Prudente. O fato de ser vítima inocente de conflito entre traficantes de drogas gerou revolta de familiares e amigos, sentimento manifestado, principalmente, por jovens rostos cobertos de lágrimas. Na casa de velório Athia e no cemitério Parque da Paz, o clima era de desolação.A grande maioria das pessoas - as mais próximas de Mariana - pareceria ter feito o pacto do silêncio. Um comportamento natural, imposto pela dor coletiva. No rosto de cada um via-se a incompreensão, como resolveu arriscar um amigo. ?Ela estava na plenitude de sua vida, tinha tudo pela frente e foi vítima da violência, sem motivo algum?, comentou o estudante Thiago Martins Viana, de 20 anos, um dos poucos amigos a falar com a imprensa. Os pais Mário Emílio Pinheiro Braga e Márcia Braga, ainda que aos prantos, procuravam amparar com abraços a única filha que lhes restou, uma menina de 12 anos. Márcia, ironicamente, trabalha como secretária numa instituição que recupera jovens drogados, mantida pela igreja Nossa Senhora do Carmo.No velório a maior parte das pessoas ficaram do lado de fora, de onde também era possível ouvir - instantes antes de sair o cortejo - a voz do padre carismático Antonio Sérgio Girotti. ?Sua alma é tão agradável que Deus a quis logo?, disse o padre num tom consolador. Mariana era líder dos jovens carismáticos, os quais lhe fizeram a última mensagem cantando ?Nós somos mais que amigos, somos anjos que o Senhor enviou para você?,no cemitério onde estavam cerca de 600 pessoas.InvestigaçãoO delegado Marco Antonio Scaliante Fogolin, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), e sua equipe trabalham com a hipótese de que o tiroreio durante a festa de calouros ocorreu entre guangues de traficantes, na disputa de ponto. Além da morte da caloura de Engenharia Ambiental Mariana Braga da Costa, três outras pessoas foram alvejadas: Cristiano de Carvalho, José Vicente de Carvalho e Ivan da Costa Alonso, todos com 21 anos de idade. Os dois primeiros foram medicados e liberados. Na tarde deste domingo Alonso continuava na UTI do Hospital Universitário da Unoeste, após passar por cirurgia no sábado.Alonso tem passagem pela polícia por furto de tácografos e é companheiro do único preso suspeito de envolvimento no tiroteio, Nilson Marcelino da Silva, de 42 anos. Alonso recebeu quatro tiros no abdômen, que atingiram o fígado, estômago e diafragma. Silva nega ter matado Mariana, diz ser amigo de Alonso e que, ao encontrá-lo caído ferido no meio da festa, apanhou um revólver no chão e disparou em meio à multidão, com a finalidade de afugentar as pessoas em volta de Alonso. Silva foi agarrado por populares e entregue à polícia. Estava com um revólver 38. As seis cápsulas encontravam-se deflagradas. Num dos bolsos de sua calça a polícia encontrou seis papelotes de crack.Preso na cadeia de Pirapozinho, Silva foi indiciado por tráfico, porte ilegal de arma e tentativa de homicídio, já que confessou ter atirado a esmo, sendo o principal acusado da morte da Mariana. A polícia mantém sigilo sobre o andamento das investigações, inclusive de pessoas que foram interrogadas e outras intimadas para depor. Há um suspeito foragido.UniversidadeO diretor da Faculdade de Ciência e Tecnologia, no campus da Unesp em Presidente Prudente, Neri Alves confirma a suspensão das aulas nesta segunda-feira e conta que abrirá sindicância para apurar responsabilidades de funcionários e alunos. A festa em que ocorreu a tragédia era realizada no campus, promovida pelo Diretório Acadêmico como parte da semana de recepção aos calouros, para integrá-los com os veteranos.

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