Seqüestrado é solto para coletar dinheiro do resgate

Depois de passar um dia e uma noite no cativeiro, numa barraca no meio de um canavial, em Tietê, na região de Sorocaba, um empresário de 74 anos foi solto pelos seqüestradores para providenciar o pagamento do próprio resgate. Eles exigiam uma quantia tão alta que apenas o empresário teria como conseguir o dinheiro. Para amedrontar a vítima, os bandidos alegaram pertencer à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles disseram que o matariam e a seus familiares, caso não recebessem o dinheiro. Solto, o empresário não procurou a polícia, levantou o dinheiro e pagou o resgate - o valor não foi divulgado. O caso, ocorrido há duas semanas, terminaria assim, sem aparecer nas estatísticas policiais, se os bandidos não tivessem continuado com a extorsão. Eles exigiram uma nova quantia para não seqüestrar um neto do empresário. Depois de vários telefonemas e ameaças, o pai da criança decidiu procurar a policia. Policiais da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS) de Sorocaba passaram a monitorar as ligações. Na noite de segunda-feira, 28, com o auxílio de um rastreador, a equipe chegou a um telefone público, no bairro Altos do Tietê, no momento em que um bandido negociava com o filho do empresário. Três homens que, de um automóvel Santana, davam cobertura ao cúmplice, atiraram contra o carro da Polícia Civil. No tiroteio, o bandido que usava o telefone foi atingido. Mesmo ferido, lutou com os policiais até ser dominado. Ele estava com uma pistola calibre 22. Os outros conseguiram fugir. Dois policiais sofreram ferimentos leves e foram medicados na Santa Casa de Tietê. O seqüestrador foi levado para o Hospital Regional de Sorocaba, onde foi submetido a uma cirurgia nesta terça-feira, 29. O bandido usava uma identidade falsa com o nome de Valdemir Rodrigues de Almeida. A polícia apurou que se trata de Valderi Rodrigues de Almeida, já condenado por latrocínio e roubos. No ano passado, ele rendeu um carcereiro para fugir da Cadeia Pública de Guapiara, possibilitando a fuga em massa dos outros presos. Policiais do DAS já levantaram as identidades dos outros integrantes do grupo, suspeito de atuar em vários seqüestros na região. No início do ano, o bando invadiu um ônibus escolar e seqüestrou um garoto de 13 anos, filho de um usineiro da região. O cativeiro também era numa barraca, no interior de um canavial. O menino foi solto após o pagamento do resgate.

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