Seqüestrador de Diniz opina sobre caso Washington Olivetto

O brasileiro que participou, em 1989, do seqüestro do empresário Abílio Diniz, Raimundo Rosélio Costa Freire, de 37 anos, mostrou-se surpreso ao saber que poderia haver algum vínculo entre os irmãos argentinos Humberto e Horácio Paz e os seqüestradores do publicitário Washington Olivetto. "Para não dizer que seja impossível, acho muito difícil", opinou.Rosélio Freire também desconfia do caráter político que possam atribuir ao seqüestro do publicitário. "Em 1989, fomos torturados e montou-se a coisa de uma forma que acabou prejudicando a candidatura do Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do PT) à Presidência. Sem nada ter a ver com nada. Este ano também tem eleições e é, no mínimo, estranho e precipitado o jeito que as coisas estão sendo jogadas. Tem que apurar melhor para saber se tem ligação com a guerrilha, mesmo a colombiana", aconselhou. "Os movimentos guerrilheiros dos quais eu participava acabaram e muitos deles, hoje, estão na legalidade", comentou em seguida.Prestes a se formar em História pela Universidade Estadual do Ceará -cursa o último semestre -, Rosélio Freire está em liberdade condicional desde 1999. Intitula-se "pesquisador". Tem interesse especial pelas guerrilhas da América Latina. Lançou um livro "Pão de Fel" (paródia a Pão de Açúcar, rede de supermercados da qual Diniz é proprietário). Nele, o ex-seqüestrador mostra a versão dele de um dos crimes mais famosos da história do Brasil.Ele pensa em fazer mestrado. Sobre o seqüestro, revela não ter se arrependido "porque naquela época acreditava numa revolução que acabou não acontecendo" mas que, "apesar do preço caro" (dez anos de prisão) aprendeu muito com a "experiência". É filiado e milita no PT. Dos companheiros de guerrilha, disse que mantém contatos por telefone apenas com os de "El Salvador". Mas se fosse recrutado novamente para outra operação igual a de 1989 não iria. "Seria burrice", finalizou.

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