André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Sequestrador deixa carta de despedida com a família, diz polícia

No texto, homem fala em 'desespero' e diz que após a tempestade, 'vem a bonança'; segundo delegado, negociações estão difíceis 

FABIO BRANDT, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2014 | 15h25

BRASÍLIA - A Polícia Civil do Distrito Federal informou na tarde desta segunda-feira, 29, que policiais enviados a Tocantins para pesquisar a vida do sequestrador que mantém um homem refém no Hotel Saint Peter, em Brasília, encontraram na casa da família dele, em Palmas, uma carta de despedida.

No texto, o sequestrador pede desculpa a sua mãe e a outros parentes, diz que seu ato é de "desespero" e que após "a tempestade vem a bonança", relatou o chefe da Divisão de Comunicação da Polícia Civil do DF, o delegado Paulo Henrique Almeida.

O prazo dado para as autoridades atenderem suas reivindicações, que incluem a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti e a efetiva aplicação da Lei da Ficha Limpa, termina às 18h, segundo os policiais. De acordo com o delegado, as negociações "estão um pouco emperradas".

"O que a gente percebe é que ele está ficando irredutível", disse o delegado. o policial relatou que o criminoso tem dito que vai se explodir junto com o refém. O Estado apurou que o nome do sequestrador é Jac Souza dos Santos, que foi candidato a vereador na cidade de Combinado, no Tocantins, pelo PP.

Jac está armado com uma pistola, cujo calibre a polícia ainda não identificou, e colocou um colete que aparenta conter explosivos na vítima. 

A polícia tem quase 100% de certeza de que a bomba é real e tem grande potencial de estrago. Para ser detonada, é preciso que um dispositivo remoto seja acionado - o sequestrador tem esse dispositivo em suas mãos. 

Após as negociações ficarem difíceis, a polícia ampliou o perímetro de isolamento da área duas vezes. O delegado Paulo Henrique disse que esse episódio não tem precedentes na história de Brasília.

A Polícia Civil informou que cerca de 150 agentes atuam nas tentativas de obter a rendição do sequestrador e salvar o refém. Aproximadamente 100 desses homens são da Polícia Civil,que participa com diversas de suas divisões, como a Divisão de Operações Aéreas, a Divisão de Resgate e a Divisão de Especialistas Antibombas. A Polícia Federal dá apoio na área de inteligência; a Polícia Militar, em inteligência e segurança do perímetro isolado; e a Agência Brasileira de Inteligência, na área de inteligência. 

Hotel. Apesar das reivindicações mostrarem revolta do bandido com posições do PT, como a oposição à extradição de Battisti, a Polícia diz que a escolha do hotel foi aleatória. O bandido mantém seu refém no 13º andar do hotel, mesmo número eleitoral do PT.

No ano passado, o hotel foi centro de uma polêmica durante julgamento do mensalão, pois ofereceu emprego ao ex-ministro José Dirceu, condenado no processo.

Tudo o que sabemos sobre:
BrasíliaSequestroRefém

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.