Seqüestrador Gordo é preso bebendo cerveja na praia

A polícia de São Paulo apresentou nesta terça-feira o seqüestrador Alexandre Ferreira Viana, o Gordo, preso na noite de Natal. Gordo foi surpreendido por policiais da Divisão Anti-Seqüestros (DAS) quando bebia cerveja com a sua mulher num quiosque da Praia Grande, no litoral de São Paulo. Nem ele, nem Regiane de Souza Maciel, de 28 anos, também acusada de participar de seqüestros, resistiram à prisão. Segundo o delegado Wagner Giudice, diretor da DAS, ele confessou outros cinco seqüestros realizados nos últimos cinco anos. O Natal deste ano foi bem diferente do de um ano atrás para Gordo. Em 2005 ele estava na praia de Juqueí, em São Sebastião. Abordou uma babá que passeava com Bia, uma menina de dois anos, num carrinho de bebê, obrigando-a a entrar dentro de um carro com a criança. Iniciava-se um seqüestro dramático de 40 dias, encerrado somente depois do pagamento de resgate pela família. Dos crimes confessados à polícia, um teria ocorrido em São Paulo, há cinco anos e o levou a prisão pela primeira vez. Ficou preso por dois anos na Penitenciária do Estado, quando conseguiu escapar por um túnel junto com outros 28 presos. Depois da fuga, praticou mais quatro seqüestros, incluindo o de Bia, o seqüestro da mulher de um doleiro e de um dono de lotação. O quinto seqüestro, realizado em Curitiba, foi o que lhe proporcionou maiores problemas. A Justiça do Paraná autorizou os grampos que permitiram as escutas telefônicas que viabilizaram a investigação e a prisão de Gordo. "Esses cinco seqüestros são somente os casos que ele confessou depois de apresentarmos as provas que temos contra eles. Mas deve haver outros casos que ele não contou", afirma Giudice. Os policiais da DAS acreditam que a quadrilha de Gordo é composta por seis pessoas. Gordo e Eliezer Ferreira Viana, seu irmão, preso em 2003, são os cabeças. Mesmo preso, a polícia acredita que Eliezer continua tendo participação nos crimes. Dois integrantes da quadrilha ainda estão foragidos.A Polícia não acredita que os criminosos tenham ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Giudice afirma que o financiamento do PCC atualmente é feito basicamente com o dinheiro do tráfico de drogas. "Podem ser simpatizantes. Mas não estão vinculados ao PCC", afirma. Apesar de Gordo não ter torturado nem mutilado os seqüestrados, ele costumava ser violento com os familiares das vítimas. E não muito eficiente. Dos cinco seqüestros feitos pela quadrilha, ela não obteve pagamento de resgate em três.

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