Seqüestrador que mutilava vítimas é preso

Um homem acusado pela polícia de praticar mais de 20 seqüestros na zona sul de São Paulo e no ABC e de mutilar suas vítimas para forçar o pagamento rápido do resgate foi preso na madrugada desta quarta-feira pelos policiais da Divisão Anti-Seqüestro (DAS).Carlos César Gomes da Silva, de 33 anos, conhecido como "Ceará" e "Baixinho", é integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua fora e dentro de presídios paulistas. Ele vinha sendo procurado pela polícia havia vários meses.Ceará foi localizado na casa alugada pela quadrilha na Rua Sonata Aurora, em São Mateus, zona leste de São Paulo. Estava acompanhado de seis integrantes de seu bando. O delegado Antonio Olim, da DAS, disse que Ceará é cruel e frio. Faz questão de gravar tudo em vídeo enquanto mutila suas vítimas.O endereço da casa foi descoberto pela polícia na tarde desta terça-feira, após denúncia. Somente no começo da madrugada é que os policiais conseguiram chegar à residência, que foi cercada. Ceará está condenado a 20 anos de prisão por roubo e estupro e fugiu cinco vezes dos presídios.Os cúmplices detidos estavam sendo procurados pela prática de assaltos e de 20 seqüestros. A quadrilha chefiada por Ceará é composta de mais de 20 membros.Cada um tem uma função bem definida. Um grupo se encarrega de seqüestrar. Um outro encaminha a vítima para o cativeiro. Ceará é quem escolhe as pessoas a serem seqüestradas e faz os contatos com as famílias, exigindo o pagamento do resgate.Ele próprio tortura e faz questão de mutilar as pessoas, disseram os policiais da DAS. Com o seqüestrador foram apreendidos um fuzil, uma pistola e munição. Ao ver a casa cercada, Ceará tentou fugir, mas desistiu quando viu cinco policiais apontando armas para ele.Os investigadores mandaram o bandido colocar as mãos sobre a cabeça, e ele obedeceu, pedindo para que não o matassem. "Eu não quero morrer", repetiu o bandido. Ceará vinha agindo desde o ano passado. Ele seqüestrou homens, mulheres e adolescentes em bairros da zona sul da capital, Diadema e São Bernardo do Campo.Um estudante libertado há menos de dois meses teve um dos dedos decepado porque a família estava demorando para pagar o resgate. "Cortar os dedos e as orelhas era prática considerada corriqueira por Ceará e por alguns integrantes de sua quadrilha", disse Olim.Para chocar os pais, mulheres e parentes das vítimas, o seqüestrador mandava fitas de vídeo com as gravações das mutilações, das ameaças e dos espancamentos. "Ele gravou uma vítima com parte de um dos dedos cortado. Gravou também outra pessoa com uma faca perto da orelha, como se fosse ser decepada", disse o delegado.Ceará e seus cúmplices foram autuados na DAS por porte ilegal de arma e resistência à prisão. Nesta quarta-feira à tarde, os quatro foram submetidos a reconhecimento por algumas das vítimas seqüestradas nos últimos meses.

Agencia Estado,

13 de novembro de 2002 | 20h24

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