Seqüestrador só voltará a negociar à meia-noite, diz polícia

A Polícia de Campinas tentou retomar, na tarde desta quarta-feira, 25, as negociações com o homem que mantém, há pelo menos 27 horas, uma mulher e seus dois filhos reféns, no Jardim Novo Campos Elísios, região periférica da cidade. Segundo informações da PM, o homem, no entanto, afirmou que só vai retomar as negociações à meia-noite. Segundo o major da Polícia Militar Luciano Casagrande, depois de a terceira tentativa de negociação firmada entre o Grupo de Ações Táticas e Estratégicas (Gate) e o suspeito, "o homem está irredutível em suas exigências". A caixa Mara Sílvia Souza, 30 anos, e os filhos Thiago, 7, e Victor, 10, estão detidos desde as 13 horas da terça-feira, 24, em sua residência, depois de terem sido dominados pelo suspeito, que fugia de uma perseguição policial durante uma tentativa de assalto. Na primeira tentativa de negociação, a PM conseguiu libertar o terceiro filho de Mara, Murilo, de três anos, em troca de um colete a prova de balas para o assaltante. Mãe está desesperada Segundo vizinhos da família, Mara Sílvia está desesperada. Eles já ouviram apelos da mãe para a libertação de seus filhos. De acordo com o major Casagrande, ela teria, inclusive, se oferecido para ser escudo vivo do assaltante após a libertação das crianças. A PM, no entanto, não aceitou a proposta. O bandido, que se identificou inicialmente como Ivonildo, chegou à residência da família depois de pular o muro de várias casas vizinhas. A polícia, no entanto, não confirma a identidade do criminoso. Isso porque testemunhas que estavam na galeria de lojas próxima da casa das vítimas, onde ele teria cometido uma tentativa de roubo e começou a ser perseguido, o identificaram como Felipe. A polícia já o chamou de Felipe, nas negociações, e ele atendeu. Armado com uma pistola semi-automática, o homem mantém a mãe as duas crianças como reféns em um corredor da residência. Pelo menos 40 policiais entre civis e militares cercam a casa e interditam a rua. O tempo todo, três policiais especializados tentam negociar com o bandido. Embora o fornecimento de água e energia da casa tenham sido cortados, o assaltante recebeu cigarros e um colete a prova de balas dos negociadores e ainda exige um carro para fugir da casa sem ser preso com um dos reféns. OAB oferece ajuda A presidente da OAB de Campinas, Tereza Doro, ofereceu ajuda nas negociações entre a polícia e o seqüestrador. Tereza afirmou que se dispõe a acompanhar o suspeito em caso de rendição e orientá-lo até que a OAB possa nomear um advogado para defendê-lo. "Vou me certificar com a polícia do que realmente ocorreu e do andamento das negociações para saber se houve tentativa de roubo ou roubo". A advogada afirmou que o suspeito terá que responder também por invasão e cárcere privado. Familiares acompanham No começo da manhã desta quarta, Isnaldo e outros familiares de Mara chegaram ao local para acompanhar as negociações. O tio de Mara, Durval Thomaz Souza, de 65 anos, chegou de São Paulo às 10h45 no local "estou muito nervoso porque não sei de nada e vi tudo apenas pela televisão. Vim achando que quando chegasse aqui tudo estaria terminado", disse Souza aparentemente nervoso. Pelo menos 100 moradores estavam na Rua Cneo Pompeu de Camargo acompanhando o caso. "Eu via esse tipo de coisa pela TV e achava que só ia acontecer em São Paulo, Rio e Belo Horizonte", afirmou o aposentado João Paulino Neto, de 71 anos.

Agencia Estado,

25 Abril 2007 | 15h07

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