Seqüestradora é interrogada em São Paulo

A seqüestradora Luciana dos Santos Souza desembargou em São Paulo no início da noite desta quarta-feira e foi direto à Delegacia Anti-Seqüestro (Deas), para ser interrogada sobre o sequestro de Patrícia Abravanel, filha do empresário Silvio Santos.Falando a policiais baianos, Luciana afirmou que só tomou conhecimento do seqüestro quando tudo já estava arranjado. Mas o delegado-chefe do Departamento de Polícia do Interior (Depin), Edmilson Nunes Almeida, acredita na participação dela no seqüestro de Patrícia desde o planejamento inicial. "Ela sabe muito mais do que está dizendo."Luciana alternou momentos de aparente descontrole, nos quais chorava e dizia ter sido envolvida no crime pelo mentor do seqüestro, seu namorado Fernando Dutra Pinto, com outros de segurança e firmeza. Ela garantiu que só soube do seqüestro de Patrícia quando não poderia mais voltar atrás. Disse também ter conhecido Fernando apenas no dia 18 de abril. "Eu o encontrei pela primeira vez quando vendia lingerie e depois ele foi bater na casa de minha mãe, sem que eu desse o endereço."Almeida rebateu a versão de que Luciana só soube do seqüestro pouco antes de sua execução. "Não acredito que, tendo levado a filha com Fernando para fazer os dois se passarem por um casal em busca de residência e pago três meses de aluguel adiantados em um bairro como o Morumbi, ela não soubesse ao menos de parte dos planos de namorado", afirmou, referindo-se à casa usada como cativeiro de Patrícia. Luciana ainda tentou explicar aos policiais por que não desconfiou dos gastos do namorado: "Fernando estava tomando um curso de detetive e disse que ganhava bem".Almeida encaminhou o depoimento e um exame de lesões corporais de Luciana à polícia de São Paulo. "É importante que se comprove que nada do que ela revelou aqui fez sob coação", disse.Logo depois de sua chegada a São Paulo, a seqüestradora foi levada ao Instituto Médico-Legal (IML) Central, em Pinheiros zona oeste, e submetida a outro exame de corpo de delito. Ela chegou à Delegacia Anti-Seqüestro (Deas), no centro, pouco depois das 19 horas.

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