Seqüestro da filha de Sílvio Santos durou uma semana

A estudante universitária Patrícia Abravanel, de 23 anos, filha do apresentador de TV e empresário Sílvio Santos, dono do SBT, tinha sido seqüestrada há uma semana. Os criminosos dominaram Patrícia quando ela se preparava para sair de casa, na Rua Antônio Andrade Rebelo, no Morumbi, zona sul. Levaram-na em seu próprio carro, um Passat alemão, blindado, de placa LOE-0532.A estudante pretendia seguir para a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), onde cursa o 4º ano de administração de empresas. Quase cinco horas depois de ela ter sido levada, um homem telefonou para a casa de Sílvio Santos e informou que Patrícia passava bem. Exigiu que a imprensa e a polícia ficassem fora do caso. E fez um alerta: ?Queremos receber o que vamos estipular?, teria dito o seqüestrador. ?Não me venham com conversa. Quem oferece dinheiro pela televisão não vai poder dizer que não tem para ver a filha livre.? ResgateNesse telefonema, os criminosos não revelaram quanto queriam pela libertação de Patrícia e desligaram. Só apresentaram no dia seguinte o pedido do resgate: US$ 2 milhões.O segurança da casa, José Isaldimiro Ramos da Silva, disse à polícia que estava na guarita diante da residência quando um homem vestido com uniforme dos Correios chegou, pouco antes das 8 horas.Moreno e aparentando 24 anos, o falso carteiro avisou que tinha correspondência para entregar aos moradores e dominou Silva. Funcionário antigo da família, o vigia, que trabalhava desarmado, carregava todas as chaves da casa. Ele foi obrigado pelo seqüestrador a abrir a porta principal.O criminoso surpreendeu Patrícia no hall. Ela estava de saída para a faculdade. As demais filhas de Sílvio Santos já tinham deixado a casa e a mulher do empresário, Íris, dormia. ?Acho que os homens sabiam a hora que ela saía?, explicou Silva à polícia. Patrícia foi obrigada a entrar no banco de trás do Passat, momento no qual apareceu um segundo criminoso.Contato por celularPerto da casa, os seqüestradores deixaram o Corsa Wind prata de placa DCD-2295. O veículo, de propriedade de uma universitária, havia sido furtado no dia 8, próximo das Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam), no Morumbi. Ela deu queixa do furto, na mesma noite, no 34.º Distrito Policial, na Vila Sônia.A polícia acredita que outros bandidos tenham participado da ação. Eles teriam seguido o Passat num jipe Cherokee encontrado pela polícia, no fim da tarde de terça, em Barueri, Grande São Paulo. O Corsa e o Cherokee passaram por uma minuciosa perícia técnica para a decoberta de impressões digitais.Os seqüestradores entregaram a Silva um celular pré-pago e um papel com horários nos quais Silvio Santos deveria atender as ligações ? quem compra o pré-pago não precisa se identificar e a polícia não tem condições para fazer a escuta. Em seguida, trancaram Silva num quarto e saíram.Secretário de SegurançaA casa de Sílvio Santos, segundo os amigos e empregados, tem um circuito interno de TV, mas a polícia não informou se os seqüestradores foram filmados. Silva conseguiu deixar o quarto e pediu a uma das camareiras que chamasse a patroa Íris. Segundo um policial civil, ao saber do ocorrido, o dono do SBT telefonou para amigos e em seguida para o secretário da Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi.O secretário acionou a Delegacia Especial Anti-Seqüestro (Deas). O delegado Wagner Giudice, titular da Deas, chegou à residência da família pouco depois das 10 horas. Ouviu o segurança, os empregados e reuniu-se com Sílvio Santos, Íris e as outras três filhas do casal.O delegado orientou o empresário a não aceitar as condições dos seqüestradores, pois isso só faria com que as exigências aumentassem. Dois investigadores passaram a monitorar telefonemas. Descobriram que os seqüestradores tinham feito ligações de Guarulhos e de bairros da zona sul.SedativosGiudice então ouviu Silva. O vigia disse que estava acostumado a receber correspondência e não desconfiou do falso carteiro. ?Achei que era dos Correios.? Garantiu não ter tido tempo para esboçar qualquer reação. ?Foi rápido. Ele estava nervoso e achei que iria me matar.?Na quarta-feira, Henrique Abravanel, irmão de Sílvio, ao chegar à mansão, no fim da tarde, disse aos jornalistas que a família continuava rezando e acreditava em um desfecho rápido. ?A esperança é que Patrícia volte o mais rápido possível e tudo esteja bem com ela.?A família só teve certeza de que Patrícia passava bem na quinta-feira. A garantia ocorreu graças a uma fita cassete na qual a estudante lia manchetes de jornais do dia anterior. Mas a tensão voltou à casa dos Abravanel com a ausência de contatos com os criminosos, que telefonaram na quinta-feira, mas não na sexta, apesar de terem combinado fazê-lo. A essa altura, Sílvio Santos já estava sendo medicado com sedativos. Os seqüestradores teriam mantido silêncio também no fim de semana. Mas a negociação sobre o valor do resgate já estava encaminhada e a quadrilha aceitara baixar seu pedido de US$ 2 milhões para US$ 1,7 milhões.

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