Sequestro da filha de Silvio Santos termina em espetáculo

O seqüestro da filha de Silvio Santos, o maior apresentador de televisão do País, terminou hoje em São Paulo como um grande espetáculo. Depois de sete dias de cativeiro, a estudante de Administração de Empresas Patrícia Abravanel, de 23 anos, saiu na varanda de sua mansão no Morumbi, para contar o drama que viveu. Em vez de choros e lamentos, no entanto, comparou sua experiência ao filme ?A Vida é Bela?, disse ter se tornado ?cúmplice? dos seqüestradores, pois conseguiu fazê-los arrepender-se e falou durante todo o tempo na ajuda que recebeu de Deus.Sorridente, garantiu que não foi pago o resgate, apesar de o secretário de Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi, ter informado o contrário e policiais dizerem que o valor foi de R$ 500 mil.Princesa x tubarõesCom os cabelos soltos, blusa cor de rosa e calça branca, Patrícia disse que foi bem tratada pelos seqüestradores, contou que eles eram muito jovens, permaneceram o tempo todo ?mascarados? e a chamavam de princesa, enquanto exigiam que ela os chamasse de ?tubarões?. Em nenhum momento foi sedada. ?Eu joguei baralho com eles, orei com eles?, contou, horas depois de ser libertada, às 2h55, na Marginal do Pinheiros, próximo da Ponte do Morumbi. ?Tava eu e mais um, que me deixou e falou: conta até 25 e vai embora?, afirmou. Daí, Patrícia seguiu para casa dirigindo seu Passat azul blindado, que estava sem as placas e com o paralama direito amassado.Nesse mesmo carro, a estudante tinha sido levada às 8 horas do dia 21, depois que dois bandidos vestidos de carteiros renderam o segurança da mansão e, com o auxílio de outros quatro seqüestradores, a abordaram no momento em que saía em direção à Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).CorrupçãoChorando e chamando pela família, ela passou o dia descansando e à tarde explicou que as lágrimas eram de gratidão a Deus. Garantindo ter passado toda a semana de seqüestro tranqüila e ?em paz?, Patrícia perdoou os seqüestradores e atribuiu o crime ao sistema de corrupção. ?O povo brasileiros é bom e está sendo mal cuidado pelos governantes?, desabafou. ?Quando você passa fome e vê filhos e amigos passando fome, você faz qualquer coisa.?Sobre o cativeiro, revelou que ficava em ?bairro bom?, possivelmente perto de sua casa. Ficou num quarto, com cama e janela trancada, só tomou banho duas vezes e, nos primeiros dias, esteve com as mãos amarradas. ?Eles compraram roupas para mim e me levavam chá e pipoca?, disse, minutos antes de enfatizar que não concorda com seqüestros e que ?a Justiça pertence a Deus?.PatyMuito animada, Patrícia só parou de falar quando seu pai também saiu na varanda, cerca de meia hora depois. ?Paty, chega, não??, perguntou. Recusando-se a comentar contradições do caso, como o pagamento ou não de resgate, Silvio começou agradecendo aos jornalistas pela compreensão e tratamento dado ao caso e disse que sua família esteve toda a semana tão seqüestrada quanto a filha.Também elogiou o trabalho da polícia e fez brincadeiras com a filha. ?Vocês já perceberam que ela é uma pastora. Não se surpreendam?, afirmou. Sobre as declarações de Patrícia, comentou que a filha mostrou uma força que ele desconhecia. ?Não tenham dúvidas de que o que ela disse eu endosso. Endosso e me surpreendo com essa filha que me dá um trabalho fora do comum. Queria que os seqüestradores ficassem mais um tempinho com ela?, completou, logo antes de abraçar a filha.A partir de agora, Patrícia pretende voltar à vida normal, disse que sua segurança está em Deus e promete conversar com o pai para que ele reavalie a maneira como lida com a vida. ?Meu pai não tem Deus. Foi uma lição para ele?, disse, criticando, entre outras coisas, a forma como Silvio conduz seus programas, "distribuindo prêmios."

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