Seqüestro de Olivetto foi crime comum, diz professor

O professor de história da Unesp, Horácio Gutierrez, declarou hoje que a Frente Patriótica Manoel Rodrigues, do Chile, que seria chefiada pelo líder do seqüestro do publicitário Washington Olivetto, Maurício Hernández Norambuena, o ´Comandante Ramiro´, teve uma participação importante naquele País apenas na década de 80. No entanto, segundo ele, a última ação de destaque que se tem notícia sobre o grupo aconteceu entre os anos de 1990 e 1991. Depois disso, a frente aparentemente se diluiu e não se teve mais informações sobre atuações de destaque praticadas por seus representantes inclusive do próprio ´Comandante Ramiro´, que, entre outras coisas, tem três condenações a prisão perpétua por crimes cometidos em seu País.Em entrevista à reportagem da Rádio Eldorado AM/SP, o professor afirmou que o seqüestro de Olivetto atribuído ao grupo chileno foi um crime comum. "Eu estou mais propenso a acreditar que essa ação não foi política, foi um crime comum para benefício pessoal dos próprios integrantes. Isso porque não têm sido divulgadas notícias sobre ramificações deles não só com outros grupos chilenos como com outras organizações latino-americanas, do México ou da Colômbia".Sobre o terrorista chileno Patrício Ortiz Montenegro, também acusado de participar do seqüestro, o professor Gutierrez disse que ele é acusado de promover uma fuga espetacular de um presídio de segurança máxima no Chile, em 1996, juntamente com o ´Comandante Ramiro´. "Eles tinham sido presos em 1993 por terem participado do assassinato, em 1991, de um senador de direita, um intelectual, uma espécie de mentor do presidente Pinochet. Os dois fugiram num helicóptero que os resgatou da cadeia, em 1996. Se for ele um dos fugitivos evidentemente que se trata de um importante membro dessa frente patriótica do Chile".Gutierrez comentou ainda que não só esse mas outros pequenos grupos que atuavam no Chile passaram para a clandestinidade depois do fim da repressão política no País, em 1990. Na verdade, opinou, essas facções assumiram essa posição de clandestinidade exatamente pelos crimes que continuaram cometendo após o término da ditadura. "Eles passaram por vários países ou ficaram clandestinos dentro do próprio Chile. Agora, imagino que, impossibilitados de atuar politicamente, simplesmente passaram a praticar crimes comuns. Durante a ditadura Pinochet, isso não acontecia porque a repressão tentou dizimar a esquerda e a própria população de alguma forma achava legítimas ações como essas. Depois, com a democracia, crimes como esses não têm mais razão de ser".Caso DinizO professor lembrou também que os chilenos que participaram do seqüestro do empresário Abílio Diniz, em 1989, não eram da Frente Patriótica Manoel Rodrigues, mas, sim, de outro movimento guerrilheiro, o MER - Movimento de Esquerda Revolucionário. O grupo foi exterminado e a maior parte de seus integrantes faz parte da lista dos presos políticos desaparecidos do Chile. "Em 1987, a maioria dos oposicionistas abandonou essa linha de luta armada para contestar politicamente o presidente Pinochet. Em 1990, todos os partidos de esquerda participaram das eleições, tanto que hoje o presidente Lago é de um desses partidos de esquerda, o Partido Socialista, o mesmo de Salvador Allende, presidente que Pinochet derrotou".Leia maisSeqüestro de Olivetto foi crime comum, diz professor Para juiz, extradição de seqüestradores pode ser vantajosa Ministério da Justiça aciona Interpol no caso Olivetto Polícia encontra carros roubados perto de cativeiro Amigo de Olivetto critica políticos de esquerda Governo anuncia medidas contra criminalidade Cativeiro de Olivetto vira atração em São Paulo Governo não pretende facilitar extradição de chilenos Olivetto é visitado por amigos e fala com FHC Governo chileno estuda pedir extradição de líder do seqüestro Deas não acredita em motivação política em seqüestro Olivetto alimenta-se bem e descansa Para Deas, telefonema não alertou seqüestradores Nota diz que há brasileira no seqüestro de Olivetto Polícia apresenta seqüestradores de Olivetto Prédio de Olivetto melhora segurança da garagem Polícia escolta parentes de Olivetto Olivetto recebe presentes e descansa com a família Chefe do seqüestro comandou terror no Chile Veja a galeria de imagens

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