Seqüestro de repórter: Manobrista foi pago para furtar carro

Em depoimento prestado a policiais da Divisão Anti-Seqüestro, o manobrista Luciano José da Silva, 26 anos, confessou ter furtado o Vectra usado no seqüestro dos funcionários da Rede Globo Guilherme Portanova e Alexandre Calado, mas negou qualquer participação no crime.Silva afirmou não saber que o carro seria usado no seqüestro. Ele contou ter sido contratado por dois rapazes para furtar o veículo, recebendo R$ 400 para executar o serviço. O manobrista foi preso trabalhando num estacionamento na Vila Madalena, na zona oeste da cidade, na noite de quarta-feira, 23.A polícia procura, agora, essas duas pessoas que teriam pago Silva e diz não saber se elas estão diretamente envolvidas no seqüestro.Calado e Portanova foram levados por volta das 8 horas do sábado, 12, da frente da Padaria União Fialense, na Avenida Luiz Carlos Berrini, a poucas quadras do 96º Distrito Policial (Brooklin). O Vectra foi achado queimado poucos minutos depois na Avenida Portugal, na zona sul. O auxiliar técnico Alexandre Calado foi libertado na noite do sábado. O repórter Portanova foi libertado na madrugada de segunda-feira, 14.PrisãoUma denúncia anônima levou os policiais ao paradeiro de Silva. Ele foi reconhecido por uma fotografia. Investigadores receberam a informação de que, desde segunda-feira, Silva trabalhava na Rua Fidalga. O estacionamento presta serviços para o restaurante Astor, na Rua Delfina. A polícia passou a investigar também o trabalho de Silva na Vila Madalena. Existe a suspeita de que ele estivesse interessado em obter informações sobre a rotina dos freqüentadores do restaurante. O local é conhecido por ser um ponto de encontro de juízes e advogados durante a semana. O suspeito foi levado para a Divisão Anti-Seqüestro, onde prestou depoimento. Ele disse que havia recebido uma encomenda para roubar um carro quatro-portas, com motor potente. A polícia tenta esclarecer qual foi a extensão da participação dele no seqüestro. Sabe-se que o carro utilizado pelos bandidos foi furtado três dias antes do crime.A polícia começou a suspeitar de Silva depois de descobrir que o dono do estacionamento de onde o Vectra foi roubado, no Itaim Bibi, e outro manobrista haviam registrado um boletim de ocorrência com informações desencontradas. Afirmaram que o carro havia sido roubado por homens armados, mas que não tinham condições de fornecer as características dos ladrões. Esta versão era falsa. Os donos do estacionamento haviam mentido à polícia porque o seguro da empresa não cobre furtos, como o praticado por Silva. A polícia, então, chegou ao seu nome. Ele era um manobrista reserva, que só era chamado nas horas de emergência.Silva foi a sétima pessoa identificada por suposto envolvimento no seqüestro. Os ex-presidiários Carlos Alberto da Silva, o Balengo, Sherley Nogueira dos Santos, o Fininho, Alexandre Campos dos Santos, o Jiló, e José Luiz dos Santos, o Maloqueiro ou Tiozinho, também são suspeitos de envolvimento no crime. Outros dois homens, cujos nomes não foram revelados, também são procurados. Um deles é o homem que aparece encapuzado lendo um manifesto do Primeiro Comando da Capital (PCC) criticando o regime disciplinar diferenciado (RDD) e reivindicando menos opressão no sistema prisional. O vídeo foi exibido pela TV Globo por exigência da facção criminosa. Segundo o delegado Godofredo Bittencourt, diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), toda a Polícia Civil de São Paulo está empenhada na prisão dos seqüestradores.Ampliada às 12h20

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