Sérgio Cabral não quer repetir erros de Jaques Wagner na greve do Rio

Governo fluminense se antecipou: ofereceu reajuste às categorias, mas endureceu situação contra grevistas

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2012 | 19h05

RIO - Os exemplos dramáticos da greve de policiais na Bahia estão servindo de base para as iniciativas do governo do Estado do Rio para administrar a crise provocada pela paralisação das forças de segurança fluminense. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) antecipou uma série de medidas para tentar neutralizar o movimento grevista.

O peemedebista procura não repetir os erros do governador da Bahia Jaques Wagner (PT), muito criticado por demorar a tomar atitudes mais enfáticas. As iniciativas do governo e a reduzida adesão à greve fizeram com que Cabral dispensasse, por enquanto, o auxílio dos 14 mil homens da Força Nacional e do Exército disponibilizados pela União. Os militares continuam de prontidão.

"A gente foi aprendendo com o caso da Bahia", explicou o secretário de Estado da Casa Civil e braço direito de Cabral, Regis Fichtner. "Houve uma pronta resposta do Estado para evitar transtornos à população. Além disso, já oferecemos reajustes e benefícios que estavam até acima das nossas possibilidades", ressaltou o secretário.

Cabral também antecipou a concessão de reajustes e benefícios antes da paralisação. A Assembleia Legislativa do Rio aprovou, na manhã de ontem, um projeto de lei que estabelecia aumentos de 39% em duas parcelas - sendo 13 pontos percentuais agora e os outros 26 pontos percentuais em fevereiro do ano que vem.

A proposição também estabelece um banco de horas extras para policiais, bombeiros e agentes penitenciários, vale transporte no valor de R$ 100 mensais e manutenção no pagamento de gratificações em caso de afastamento provocado por incidente no exercício da função.

As prisões também mostram a disposição do governo do Rio em não negociar com os grevistas. Na Bahia, os primeiros grevistas só foram detidos depois de uma semana de paralisação. Líder do movimento no Rio, o cabo bombeiro Benevenuto Daciolo foi preso dois dias antes de a greve ser decretada - logo após a divulgação de gravações telefônicas mostrarem que ele estava articulando a nacionalização do movimento de paralisação.

Um dos interlocutores de Daciolo nas gravações, o ex-governador do Rio e deputado federal Anthony Garotinho (PR) passou o dia de hoje criticando Cabral em seu blog, chamando-o sempre de "ditador", "tirano" e "Pinochet". Foi em Campos dos Goytacazes, seu reduto eleitoral e cidade administrada pela sua mulher, Rosinha Garotinho, que foram registrados alguns distúrbios no primeiro dia de greve. Integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tropa de elite da PM do Rio, foram deslocados para a cidade.

Também gravada em conversa telefônica com Daciolo, a deputada estadual Janira Rocha (PSOL) passou o dia com líderes grevistas e acompanhou a prisão de alguns deles. À tarde, a parlamentar, que milita há anos no movimento sindical e admitiu ter participado de articulações do movimento grevista, reuniu-se com advogados de policiais presos para elaborar uma estratégia de defesa. A ideia do grupo é apresentar pedidos de habeas corpus diretamente aos tribunais superiores.

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