Sérgio Cabral se recusa a receber relator da ONU

Governador afirma que não houve contato, mas Alston contesta versão

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

A recusa do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, em receber o relator especial das Nações Unidas para execuções sumárias, arbitrárias e extrajudiciais, Philip Alston, terminou em troca de acusações entre os dois. Pela manhã, Alston revelou aos jornalistas que Cabral não o receberia. O governador respondeu que não houve contato oficial para o encontro. "As autoridades federais vão informar que nós fizemos um pedido oficial para um encontro com o governador e a resposta foi que o governador não estaria disponível", declarou Alston. O relator acrescentou que não pedirá novamente um encontro, pois o pedido oficial "ainda é válido". "Se o governador quiser me encontrar, ficarei muito feliz de encontrá-lo", declarou após um encontro de três horas com a cúpula da Segurança Pública . O único compromisso oficial da agenda do governador ontem era o lançamento do plano estratégico do Rio, no Palácio Guanabara, pela manhã. À tarde ele participou da reunião do Conselho Nacional de Política Energética, do qual não faz parte, para encontrar o presidente Luís Inácio Lula da Silva. Hoje, Cabral assina medida que dispensa policiais, bombeiros e agentes penitenciários de pagar pela renovação da carteira de habilitação e participa de um leilão de arte. O clima do encontro entre Alston e a cúpula da Segurança Pública foi de constrangimento. A maioria das autoridades interpreta que a vinda do relator foi provocada por ONGs, que são as mais ativas opositoras da política de segurança. "A vinda dele foi provocada pelas ONGs e acreditamos que a visão dele está comprometida desde o início", disse um integrante do alto escalão do setor."Queria muitas informações e recebi várias respostas do secretário de segurança, dos comandantes da Polícia Militar e dos delegados da Polícia Civil. Foi uma ótima ajuda", despistou Alston após o encontro. Pela manhã, ele ouviu críticas à política de Segurança de deputados estaduais da Comissão de Direitos Humanos. O contraponto ficou a cargo de Flávio Bolsonaro (PP) que convidou o relator para participar de uma operação "para ver como a polícia é recebida em áreas de risco". Alston também se encontrou com o procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira. Hoje, ele tem encontros com autoridades do sistema penitenciário e visitará um presídio.

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