Sérgio Cabral vai nomear interventor para bondes no Rio de Janeiro

Pelo terceiro dia seguido após acidente em Santa Teresa, governador não fala sobre tragédia

Tiago Rogero, estadão.com.br

30 Agosto 2011 | 18h47

RIO - Pelo terceiro dia seguido após o acidente com o bondinho de Santa Teresa que matou cinco pessoas e deixou 57 feridas, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), não falou sobre a tragédia. Durante evento em São Paulo, discursou por cerca de 30 minutos para empresários sobre as realizações de seu governo. Ressaltou investimentos, inclusive em transportes. A equipe de governo chegou a convocar repórteres para entrevista em uma sala reservada, mas Cabral não apareceu. A única manifestação sobre o acidente foi através de nota, no domingo à noite - o acidente foi na tarde de sábado.

Nesta terça-feira, 30, por meio da assessoria de imprensa, Cabral informou que vai nomear o presidente do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), Rogério Onofre, como interventor dos bondes. Ele deve chefiar o sistema, atualmente administrado pela Companhia de Engenharia de Transportes e Logística (Central), vinculada à secretaria de Transportes. Desde a greve dos bombeiros e a queda do helicóptero, no interior da Bahia, que expôs a relação pessoal do governador com o dono da Delta Construções, Fernando Cavendish, as entrevistas de Cabral têm ficado cada vez mais raras.

Na segunda-feira, jornalistas que cobriam evento em Vitória (ES) foram alertados por uma assessora antes da entrevista: "Não venham para cima do governador com essa história de bondinho. Se for para isso, vamos cancelar o atendimento à imprensa", disse, pedindo para que todos se restringissem à questão dos royalties do petróleo. Nesta terça, em São Paulo, a assessoria informou que somente falará sobre o caso o secretário de Transportes, Júlio Lopes. Em entrevista coletiva, na segunda - feira, o secretário responsabilizou pelo acidente o motorneiro Nelson Corrêa da Silva. Após colisão com um ônibus, o maquinista, segundo Lopes, deveria ter levado o bonde até a oficina, mas não teria dado entrada no local.

Por meio de nota, a assessoria do secretário negou nesta terça que ele tenha atribuído "responsabilidade a qualquer pessoa". "Pelo contrário, afirmou que as causas do acidente somente serão determinadas pelas autoridades competentes. Na ocasião, foi ressaltada a experiência do motorneiro, que tinha 35 anos de atuação nos bondes de Santa Teresa. A Secretaria está colaborando com as investigações, e se limitou a apresentar os registros de manutenção e da operação que serão examinados pelas perícias", informou a nota.

Inquérito. O Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ), que abriu inquérito civil para investigar o acidente, convocou o secretário para prestar esclarecimentos, na sexta-feira. O promotor de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, Carlos Andresano, informou que vai propor a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para o pagamento de indenizações às vítimas e familiares. "Da mesma forma que ele (Lopes) teve a coragem de ir para a televisão e afirmar tal fato, que tenha a mesma coragem para vir e dar uma solução efetiva para essas pessoas que sofreram danos", afirmou o promotor. Até ontem, pelo menos 16 pessoas seguiam internadas em hospitais do Rio. O caso mais grave é o de um menino de 3 anos, internado no CTI pediátrico do hospital municipal Souza Aguiar.

Colaborou Bruno Boghossian

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