Serra acirra tom e cita violação da conta de caseiro

Em encontro com prefeitos, tucano chegou a chorar ao falar sobre práticas 'escusas' do partido adversário

Julia Duailibi, Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 00h00

Numa clara mudança de tom na campanha presidencial da oposição, o candidato do PSDB, José Serra, aproveitou ontem o encontro com prefeitos paulistas para atacar os adversários no PT, usando como eixo principal de sua crítica a violação do sigilo fiscal de tucanos e de sua filha Verônica.

Pela primeira vez, o presidenciável citou explicitamente o episódio do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que teve o sigilo bancário violado em 2006, num caso envolvendo o ex-ministro Antonio Palocci. Serra, que tem boa relação com o petista, evitava explorar o caso.

O tucano chegou a chorar ao falar sobre práticas "escusas" do partido adversário. Disse que o PT quer cercear a liberdade de imprensa e tem práticas "fascistas". "Não perguntem jamais quem é o Francenildo Pereira (sic). Francenildo são todos vocês, Francenildo somos nós. Nunca vou passar a mão na cabeça de malfeitores", declarou o candidato, dizendo ainda que os adversários optaram pelo caminho da "sordidez" e sabotam a "ordem democrática".

"Os brasileiros precisam ser livres para não temerem que um Estado financiado com o dinheiro de todos nós seja ou continue ocupado por uma máquina partidária que segue e persegue as pessoas e viola os direitos fundamentais do povo brasileiro. Nós somos diferentes. Somos democratas e defendemos a liberdade de verdade", disse Serra no discurso mais crítico ao governo federal já feito desde que se lançou candidato à Presidência.

Ele anunciou ontem que, a partir de agora, vai falar "mais de política". Conforme o Estado antecipou anteontem, a campanha de Serra mudou a estratégia de comunicação, tentando mostrar um candidato mais crítico e mais oposicionista em relação ao governo federal e que coloque de forma mais clara as diferenças entre o PSDB e o PT.

Improviso. O tucano, que falou por mais de 40 minutos, escreveu seu discurso antes de chegar ao encontro com prefeitos no Credicard Hall, na capital paulista. Mas improvisou trechos, como o que citava Francenildo, que não constava da versão original.

"Quando se viola o sigilo fiscal de uma filha nossa, está se violando acima de tudo a Constituição", afirmou Serra, para quem os adversários "não têm caráter". "Nenhum pedaço da minha biografia precisa ficar trancado num cofre", completou.

Ontem tanto Serra quanto os tucanos aproveitaram o encontro com prefeitos, organizado para demonstrar força no maior colégio eleitoral do País, para criticar o governo no episódio da violação de sigilo. "O que vimos é uma ameaça contra a sociedade. Quando uma injustiça é feita contra uma pessoa, é feita contra toda a sociedade", declarou o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao dizer que houve ruptura do texto constitucional com o objetivo de se ganhar eleição.

Para mostrar sintonia, o presidenciável chegou de mãos dadas com Alckmin. Foi criado um jingle especial para os dois que falava da união dos candidatos para fazer São Paulo e o Brasil crescer.

O ex-governador Aécio Neves (MG) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não foram à ofensiva política do PSDB no maior colégio eleitoral do País. O partido, no entanto, conseguiu reunir algumas lideranças nacionais, como os candidatos a governador no Pará, Simão Jatene, e no Espírito Santo, Luiz Paulo Vellozo Lucas. Também participaram os presidentes do PPS, Roberto Freire, e do PSDB, Sérgio Guerra, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o deputado Jutahy Júnior (BA).

Pelas contas da organização, 353 prefeitos participaram do encontro. Foram convidados 400 prefeitos, ex-prefeitos e lideranças municipais. Cerca de 2 mil pessoas participaram do evento.

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