Serra adota tese de Aécio e se lança hoje como candidato do pós-Lula

BRASÍLIA

Ana Paula Scinocca, Christiane Samarco, Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

Ex-governador de São Paulo, o tucano José Serra vai lançar hoje a sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, assumindo e reforçando o discurso de que vai disputar as eleições de outubro próximo na condição de "candidato pós-Lula". A estratégia é assumir o continuísmo, mas criticar a ideia de que o Brasil só começou a melhorar a partir de 2003.

Na prática, Serra vai incorporar a tese defendida pelo colega de Minas, Aécio Neves, em abril do ano passado, de que a campanha não pode ser contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e anti-Dilma Rousseff, a pré-candidata do PT à Presidência.

Hoje, no encontro organizado pela oposição, em Brasília, Serra vai se apresentar como alternativa "mais preparada e qualificada" para que o País "avance mais, fazendo melhor". Isso vai permitir que o tucano fuja da armadilha da eleição plebiscitária defendida por Lula, que deseja comparar seu governo ao de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Serra dará largada à corrida sucessória repetindo o conceito do "Brasil pode mais", bordão já usado dez dias atrás, na despedida do governo de São Paulo. Vai propor um governo sem ruptura e com evolução. Ao se apresentar como candidato da continuidade ele quer centrar a disputa em Dilma, tirando Lula dos debates.

No lançamento de Serra estarão presentes correligionários e aliados de pelo menos cinco partidos - DEM, PPS, PTB, PSC e PMDB. O patrocínio da festa ficará por conta do trio que compõe a aliança oposicionista: PSDB, DEM e PPS. Os três partidos organizaram um encontro nacional para não afrontar a Lei Eleitoral, que proíbe campanha antes das convenções de junho, que vão oficializar os candidatos.

No discurso, para cerca de 3 mil lideranças políticas e militantes de todo o País, Serra vai bater na tecla de que o Brasil avançou nos últimos anos, mas as conquistas não foram de um governo, e sim da sociedade como um todo.

O pré-candidato do PSDB não pretende negar os avanços obtidos pelo governo Lula - avanços que dão sustentação à alta popularidade do presidente, em especial entre à população de baixa renda. Mas tudo será trabalhado na perspectiva de que as conquistas começaram antes de 2003, quando o PT chegou ao poder.

Sem críticas ao presidente Lula e sem citar a petista Dilma, Serra vai deixar claro que os avanços são um processo. Começaram, dirá ele, com a redemocratização no governo José Sarney (1985-1990), com a abertura da economia promovida por Fernando Collor (1990-1992) e o Real de Itamar Franco (1992-1994) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), passando pelas privatizações.

O tucano vai se colocar como o candidato da Nova República, que começou com o presidente Tancredo Neves, sem a participação do PT, em 1985. E falará de sua biografia, que a oposição acredita ser o "grande trunfo do candidato tucano" no confronto com Dilma.

Sem se alongar sobre sua passagem pelo Ministério da Saúde, pela Prefeitura de São Paulo e pelo governo paulista, alguns programas vitoriosos serão lembrados como vitrines que podem ser ampliadas.

Quando disser o que deseja para o Brasil, ele vai focar no desenvolvimento - como em seu discurso de posse no governo paulista em 2007, Serra voltará à ideia do "Estado ativo", propondo-se a fazer um governo em que a máquina pública focada na gestão eficiente, que elimine a gastança, é a principal indutora do crescimento.

Discursos programados para o evento de hoje

10H30

O primeiro a discursar será Fernando Henrique

11H10

Roberto Freire, do PPS

11H20

Rodrigo Maia, do DEM

11H30

Sérgio Guerra, presidente do

PSDB

11H45

O ex-governador de Minas, Aécio Neves

12 HORAS

O presidenciável José Serra inicia discurso

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