Serra ataca ''guerra de baixaria'' do PT

Presidenciável diz que vazamento de dados de tucanos teve cunho eleitoral e classifica episódio como ''modalidade criminosa'' de campanha

Carolina Freitas, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, classificou a quebra de sigilo de tucanos como uma "modalidade criminosa" de campanha. "Não é a primeira vez que eu sofro desse tipo de baixaria. Vocês lembram o dossiê dos "aloprados", comandado pelo atual candidato do PT ao governo de São Paulo (Aloizio Mercadante). Agora tem mais essa. Há uma permanente guerra de baixaria."

O vazamento de informações fiscais foi mencionado pelo candidato durante discurso para empresários ligados à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), na capital paulista. "Um candidato não pode ter duas caras. Tem de ter uma cara só. Não dá para brincar com o Brasil. É preciso que a pessoa tenha uma só opinião sobre questões como a liberdade de imprensa, o aparelhamento do Estado e crimes contra a Constituição, como foi feito agora com essa quebra de sigilo."

Serra voltou a cobrar da adversária Dilma Rousseff (PT) explicações sobre a violação de sigilo. "Dilma tem de dar explicações ao Brasil do que aconteceu, por que foi feito e quem são os responsáveis."

Crime. O tucano disse que o vazamento teve finalidade eleitoral, para beneficiar Dilma. "A informação inicial para o Eduardo Jorge (vice-presidente do PSDB, que teve dados vazados) foi passada pela Folha de S. Paulo como tendo sido recolhida no comitê do PT, da Dilma", disse Serra.

"Isso é um crime contra a Constituição. É uma transgressão gravíssima. Trata-se do governo entrando na vida privada das pessoas e utilizando informações para finalidades eleitorais, como instrumento de chantagem." Indagado se entraria na Justiça para ter esclarecimentos sobre o caso, Serra disse que a decisão caberá ao PSDB.

Mais tarde, durante caminhada em Bauru, ao lado do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, Serra voltou a acusar o governo federal e Dilma pelo episódio. Alckmin também falou do assunto.

"A injustiça cometida é uma ameaça à sociedade. É injustificável que havendo uma garantia constitucional de que só pode ter quebra de sigilo por ordem judicial, pessoas dentro da Receita Federal quebrem o sigilo, e ainda com interesse político. Se verificarmos as pessoas que tiveram o sigilo quebrado, são da oposição", afirmou o candidato ao governo do Estado. "É preciso investigar, ver as razões disso e haver uma punição exemplar." / COLABOROU JAIR ACEITUNO

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