Serra cobra explicações de Mercadante sobre dossiê

O ex-prefeito e candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, cobrou neste sábado explicações de seu adversário do PT na disputa, Aloizio Mercadante, sobre o envolvimento do coordenador de comunicação do petista, Hamilton Lacerda, na operação de compra do dossiê Vedoin, que conteria denúncias contra candidatos tucanos. "Quem tem de dar explicações sobre o que aconteceu aqui é o Mercadante. É o cúmulo que a essa altura do campeonato, o Mercadante fique pedindo explicações", afirmou Serra, referindo-se ao fato de o petista ter protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o candidato a vice na chapa tucana, Alberto Goldman, explique suas declarações de que teria sido oferecido ao PSDB um dossiê contra os petistas."Ele (Mercadante) tem de explicar como é que o coordenador de campanha aqui em São Paulo estava na operação do R$ 1,7 milhão para comprar um dossiê fajuto. Se alguém deve explicações, é ele", acrescentou, após caminhar durante aproximadamente uma hora pelo centro comercial de Osasco em São Paulo, nesta tarde.Serra afirmou ainda que a crise que eclodiu a partir das notícias de tentativa de compra do dossiê Vedoin foi provocada pelo próprio Partido dos Trabalhadores. "A dor de cabeça do PT e do governo foi causada pelos próprios petistas", disse Serra. Em relação às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acusou a oposição de golpismo, Serra devolveu a acusação aos petistas. "Se tem golpismo, é do próprio PT. Toda essa encrenca foi causada pelo próprio PT. Isso está claro", enfatizou.PesquisaNa avaliação de Serra, a pesquisa do Datafolha, divulgada neste sábado, relativa às intenções de voto para a presidência da República, mostra claramente que houve estreitamento da diferença entre o candidato Lula e seus adversários. O levantamento mostrou o presidente Lula continua na frente com 49% das intenções de voto, seguido do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com 31% das intenções. "O Instituto Datafolha é um instituto sério e a pesquisa serve de orientação. O que eu vi foi um estreitamento da diferença entre Lula e os candidatos muito claramente", comentou Serra.O candidato tucano ressaltou que "pesquisa (de intenção de voto) não define resultado". "Nem para mim, que estou muito na frente, eu não considero que já ganhei", reforçou o tucano, evitando cantar a vitória nas urnas antecipadamente. "Eu tenho de trabalhar daqui até o dia 1º para ganhar essa eleição, porque o que ganha eleição é urna", afirmou. "O mesmo vale no plano nacional. Ninguém imagina que a pesquisa vai definir o que vai acontecer no dia 1º. Agora é a reta final e a população vai estar avaliando", acrescentou. De acordo com Serra, o momento é de trabalhar arduamente, tanto no plano estadual quanto no plano nacional, até o dia das eleições.O candidato do PSDB ao governo paulista afirmou ainda que, se eleito, pretende trabalhar em parceria com todos os prefeitos, independentemente do partido ao qual sejam filiados. "Não interessa a carteirinha partidária do prefeito. O que eu quero é seriedade, competência e honestidade. Com esses três requisitos, vamos trabalhar juntos", comentou Serra. Segundo o tucano, seu desejo não é o de que os prefeitos mudem de partido pelo fato de ele ser do PSDB. "O que eu quero é que eles trabalhem direito", ressaltou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.